2026-08-14
Brasil terá mais dois corredores sustentáveis conectando rodovias a portos

Primeiro corredor já está em operação na BR-277, entre Curitiba e Paranaguá; outros dois são planejados, um no RJ e outro entre MT/PA

O Brasil deverá contar com mais dois corredores sustentáveis voltados à integração entre rodovias, ferrovias e portos, segundo a superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Cynthia Ruas. A iniciativa foi apresentada nesta quinta-feira (13), durante o painel “InfraESG | Descarbonização e transição energética no setor de transportes”, realizado no Fórum Sudeste Export, em Vitória (ES).

A ideia é testar, dentro do chamado sandbox regulatório, novas tecnologias, modelos de gestão e aplicações inovadoras no setor. Entre elas, estão soluções energéticas voltadas à redução de emissões, sistemas de pesagem em movimento e infraestrutura de conectividade digital, além de mecanismos de proteção, como passagens de fauna, barreiras acústicas, preservação da vegetação nativa e adaptação a eventos climáticos extremos.

O primeiro corredor já está em implantação em um trecho da BR-277, que conecta Curitiba ao Porto de Paranaguá (PR), sob gestão da concessionária EPR Litoral Pioneiro. Ali, a empresa tem aplicado medidas para reduzir o impacto do transporte de cargas, diminuir as emissões das operações e ampliar a eficiência.

Entre as iniciativas está a ampliação de pontos de parada e descanso para caminhoneiros, com o objetivo de reduzir a permanência de veículos nas proximidades do porto e oferecer mais qualidade aos serviços destinados aos motoristas que fazem longas viagens.

Segundo Cynthia, o projeto é desenvolvido de forma colaborativa entre a agência e os diferentes atores envolvidos na operação do corredor. “Entendemos que o trabalho de sustentabilidade vai para frente quando existe colaboração”, afirmou.

Dois novos corredores

O segundo corredor sustentável está em processo de adesão pela Motiva e deverá conectar a BR-101 ao Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro. A concessionária participou de um edital da ANTT e solicitou a implantação do projeto no trecho sob sua responsabilidade.

De acordo com Cynthia, o processo de análise da proposta deverá ser concluído na próxima semana. O corredor também apresenta potencial de integração com a ferrovia existente na região, ampliando a possibilidade de utilização de diferentes modais no transporte de cargas.

O terceiro projeto será desenvolvido na BR-163/MT/PA, cujo trecho vai a leilão em novembro deste ano. Segundo a superintendente, o contrato já prevê uma cláusula determinando a implantação de um corredor sustentável ligando a rodovia ao Porto de Miritituba, no Pará.

A via é uma importante rota para o transporte de cargas e para o deslocamento entre municípios de Mato Grosso e do Pará. A BR-163 também conecta áreas produtoras do Centro-Oeste aos terminais portuários da Região Norte.

Além da duplicação de 246 quilômetros, visando mais segurança, a implementação de um corredor sustentável também foi prevista em razão do grande movimento registrado na rodovia, da presença de comunidades, inclusive tradicionais e indígenas, e da necessidade de incluir o trecho no plano estratégico do Arco Norte.

Programa de Sustentabilidade da ANTT

Todas essas medidas fazem parte do Programa de Sustentabilidade criado pela agência após o diálogo com as concessionárias e a percepção de que havia diferentes parâmetros de sustentabilidade sendo incorporados aos contratos de concessão. Para normatizar, a iniciativa estabeleceu nove parâmetros de sustentabilidade, divididos em 470 requisitos que podem ser avaliados pelas concessionárias. A adesão é voluntária.

No setor rodoviário, 21 das 35 concessionárias reguladas aderiram ao programa. Dessas, 13 optaram pelo nível máximo de adesão, que contempla todos os parâmetros de sustentabilidade estabelecidos pela agência.

Nas ferrovias, 10 das 15 concessionárias também já aderiram ao programa.

“A criação dos parâmetros ocorreu a partir do diálogo entre a ANTT, empresas reguladas, associações do setor e o Ministério dos Transportes. A agência também trabalha na criação de mecanismos de incentivo, incluindo iniciativas de reconhecimento público das empresas que avançarem nas práticas de sustentabilidade”, explicou.

Entre as medidas estudadas estão a criação de um índice e de um ranking para dar visibilidade às ações desenvolvidas pelas concessionárias.

A moderação do painel foi feita por Núria Bianco, Diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export

Debatedores. Participaram ainda Daniella Barros, Diretora de Regulatório de Infraestrutura da Vale; Juliana Maria da Silva, Diretora de Sustentabilidade da Motiva; Monica Jaén, Diretora de Sustentabilidade do Grupo EcoRodovias e Rafael D’Assunção, Diretor de Atendimento, Experiência do Cliente e Inovação da Log-In.

Site Benews – 14/08/2026


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