Após suspensão, Pomini afirma que cronograma da dragagem está mantido
Autoridade Portuária informou que recorrerá da decisão e diz que obra continua prevista para ampliar acesso de grandes navios sem dependência da maré
A Autoridade Portuária de Santos (APS) afirmou que a suspensão temporária da assinatura da ordem de serviço para as obras de aprofundamento do canal do Porto de Santos, que seria oficializada hoje (17), não deve impactar o cronograma do projeto. Em coletiva realizada no início da tarde, o presidente da estatal, Anderson Pomini, declarou que o contrato será retomado após a análise de recurso judicial e manteve a previsão de conclusão das intervenções em até dois anos.
A interrupção da assinatura ocorreu após questionamentos levados à Justiça. Enquanto o recurso é analisado, a APS sustenta que não pretende alterar o planejamento e mantém a expectativa de iniciar as obras nas próximas semanas.
De acordo com Pomini, esse tipo de paralisação faz parte da dinâmica de disputas comuns em contratos de grande porte no setor de infraestrutura e não compromete a estratégia de expansão do porto. “Para o Porto, pouco importa qual será a empresa. O que nós queremos é a obra”, afirmou.
O projeto prevê o aumento da profundidade operacional do canal de 15 metros para 16 metros, permitindo a operação de embarcações de maior porte com menos restrições de maré.
Atualmente, segundo a APS, navios de grande dimensão ainda dependem de condições específicas para acessar o porto com carga total. “Algumas embarcações precisam entrar com maré alta e operando com 70% ou 80% da capacidade”, disse Pomini.
A expectativa é que, com o aprofundamento, o Porto de Santos passe a receber navios maiores em qualquer janela operacional, com ganhos de eficiência logística.
Antes da dragagem principal, está prevista a etapa de derrocagem, que consiste na retirada de formações rochosas no canal. Segundo Pomini, mais de 30 pontos já foram identificados como necessitando de intervenção.
De acordo com o presidente da APS, essa fase já conta com licenciamento ambiental e funcionará como preparação para o aprofundamento definitivo.
Futura concessão
A obra integra uma estratégia mais ampla de modernização da infraestrutura aquaviária do porto e está alinhada aos estudos para a futura concessão do canal de acesso.
Após atingir os 16 metros, o planejamento prevê um novo avanço para 17 metros de profundidade operacional, limite que considera parâmetros ambientais e a compatibilização com o projeto do túnel Santos-Guarujá. “O Porto está sendo projetado para o futuro”, completou.
Segundo a APS, o aprofundamento deve aproximar Santos dos principais complexos marítimos internacionais e ampliar sua competitividade em rotas de longo curso, especialmente nas operações com a Ásia.
Site Benews – 18/06/2026
