2026-05-13
Marinha anuncia ampliação do calado na foz do Amazonas

Novo calado passou para 11,85 metros para navios mercantes com cargas comuns e 11,65 metros para navios-tanque e cargas perigosas

A Marinha do Brasil concluiu o aumento do calado operacional no Arco Lamoso, trecho considerado estratégico na foz do Rio Amazonas. A medida amplia a capacidade de navegação na região e deve fortalecer o escoamento da produção nacional, com impactos diretos na economia da Região Norte e no comércio exterior brasileiro.

Com a atualização das condições de navegabilidade, embarcações de maior porte poderão trafegar com mais carga, reduzindo restrições operacionais e aumentando a eficiência logística. A ação também reforça a segurança da navegação em uma área marcada pela intensa dinâmica sedimentar do estuário amazônico, onde levantamentos hidrográficos e atualizações cartográficas são essenciais para manter rotas seguras.

Segundo a Marinha, o novo calado passou para 11,85 metros para navios mercantes com cargas comuns e 11,65 metros para navios-tanque e embarcações que transportam cargas perigosas, no período entre 1º de fevereiro e 15 de agosto. Nos demais meses do ano, os limites serão de 11,70 metros para navios mercantes e 11,50 metros para navios-tanque e embarcações com cargas perigosas.

O Arco Lamoso é considerado o ponto mais crítico e raso da Barra Norte, na foz do Rio Amazonas, entre os estados do Pará e do Amapá, em um trecho de aproximadamente 45 quilômetros.

De acordo com o diretor do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), capitão de fragata Anselmo Vinicius de Souza, a navegação na região enfrenta desafios naturais constantes. “Os principais desafios são inerentes à grande dinâmica hidrológica da região, influenciada pela interação entre diferentes massas d’água que confluem para a foz. Além disso, há um regime pluviométrico sazonal, marcado pelos períodos de cheia e seca dos rios”, explicou.

Impacto econômico

O Arco Lamoso integra um dos principais corredores logísticos para o transporte de commodities produzidas nas regiões Norte e Centro-Oeste do País. A ampliação do calado permitirá maior eficiência no transporte marítimo, redução de custos logísticos e aumento da competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

A relevância da operação se insere no contexto da chamada Economia do Mar. Atualmente, mais de 95% do comércio exterior brasileiro é realizado por via marítima, evidenciando a importância de rotas seguras e eficientes para o escoamento de mercadorias.

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) mostram que os portos e terminais da Região Norte registraram, em 2025, o maior crescimento percentual do País, com alta de 10,4% e movimentação de 163,3 milhões de toneladas — índice acima da média nacional, de 6,1%.

Segundo Anselmo, o impacto do aumento do calado pode ser significativo, principalmente para navios do tipo Panamax. “A quantidade de carga adicional varia conforme as características de cada embarcação. No caso dos navios Panamax, o aumento pode representar até 10 mil toneladas extras por viagem, gerando um ganho aproximado de US$ 1 milhão em carga por navio, cerca de R$ 5 milhões”, destacou.

Site Benews – 13/05/2026


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