Safra de café 2026 deve bater recorde e manter Brasil como principal produtor
Volume previsto indica crescimento de 17,1%, com produção que pode chegar a 66,2 milhões de sacas
A primeira estimativa para a safra de café de 2026 indica uma produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas, crescimento de 17,1% em relação ao ciclo anterior. O avanço ocorre em um ano de bienalidade positiva e é impulsionado, principalmente, pela ampliação de 4,1% da área em produção, que deve alcançar 1,9 milhão de hectares nesta temporada.
Além da expansão da área, o desempenho da safra também reflete condições climáticas mais favoráveis ao longo do ciclo da cultura, somadas à adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras. Com isso, a produtividade média deve aumentar 12,4%, chegando a 34,2 sacas por hectare.
Os dados constam no 1º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado nesta quinta feira (5 de fevereiro) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Caso as projeções se confirmem, o volume representará um novo recorde da série histórica, superando o resultado de 2020, quando foram colhidas 63,1 milhões de sacas.
Arábica e conilon
Para o café arábica, mais influenciado pela bienalidade, a Conab projeta uma produção de 44,1 milhões de sacas, alta de 23,3% frente à safra anterior. O crescimento é atribuído à maior área produtiva, ao clima mais favorável e ao ciclo positivo da cultura.
Já a produção de conilon deve alcançar 22,1 milhões de sacas, aumento de 6,4% em relação a 2025. O volume pode estabelecer um novo recorde para a espécie, sustentado pela ampliação da área cultivada e pelas boas condições climáticas observadas até o momento.
Produção nos estados
Em Minas Gerais, principal produtor nacional e líder no cultivo de arábica, a produção está estimada em 32,4 milhões de sacas. O bom desempenho é explicado pela melhor distribuição das chuvas, especialmente no período anterior à floração, além de fatores fisiológicos das plantas.
Em São Paulo, a expectativa é de uma safra de 5,5 milhões de sacas, favorecida pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas afetadas no ciclo anterior.
Na Bahia, a produção total deve crescer 4%, alcançando 4,6 milhões de sacas, sendo 1,2 milhão de arábica e 3,4 milhões de conilon.
No Espírito Santo, a colheita é estimada em 19 milhões de sacas, alta de 9% em relação a 2025. A maior parte do volume corresponde ao conilon, cuja produção deve atingir 14,9 milhões de sacas, mantendo o estado como principal produtor da variedade no país. O resultado é atribuído às boas precipitações registradas no norte capixaba.
Em Rondônia, onde o cultivo é exclusivamente de conilon, a produção deve chegar a 2,7 milhões de sacas, crescimento de 18,3%. A renovação do parque cafeeiro com plantas clonais mais produtivas, aliada ao clima favorável desde o início do ciclo, explica o avanço.
Mercado
Mesmo com a queda de 17,1% no volume exportado em 2025, totalizando 41,9 milhões de sacas, o Brasil registrou um recorde de US$ 16,1 bilhões em receitas com exportações de café, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado representa um aumento de 30,3% em relação a 2024, impulsionado pela valorização de 57,2% no preço médio do produto.
Para 2026, a expectativa é de que os preços permaneçam em patamares elevados, mesmo diante da projeção de safra recorde no Brasil e de uma boa colheita no Vietnã. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o consumo mundial deve atingir um novo recorde, estimado em 173,9 milhões de sacas, puxado pela maior demanda de países asiáticos, como China, Indonésia e Vietnã.
Com isso, os estoques globais seguem em níveis historicamente baixos. No início da safra 2025 de 2026, o volume deve ser o menor dos últimos 25 anos, estimado em 21,3 milhões de sacas, queda de 7,8% frente ao ciclo anterior. Ao final do período, a previsão é de novo recuo, para 20,1 milhões de sacas, o que tende a manter os preços do café pressionados no mercado internacional.
Site Benews – 06/02/2026
