Japão inicia plano bilionário para recuperar capacidade da indústria naval
Primeira rodada de incentivos destina 213,1 bilhões de ienes (US$ 1,4 bilhão) a grupos de estaleiros; governo quer dobrar produção até 2035
O governo do Japão anunciou na sexta-feira (4) a aprovação de até 213,1 bilhões de ienes (US$ 1,4 bilhão) em subsídios para investimentos de três grandes grupos de construção de navios. A medida marca a primeira rodada de apoio do novo fundo de revitalização da indústria naval e integra a estratégia do país para dobrar a capacidade produtiva dos estaleiros até 2035.
Os planos aprovados pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo envolvem oito empresas lideradas por Imabari Shipbuilding, Japan Marine United (JMU) e Namura Shipbuilding. Os recursos serão destinados principalmente à ampliação e modernização das instalações, com investimentos em grandes galpões industriais, guindastes, automação e robôs de soldagem.
O maior volume de apoio foi destinado ao grupo da Imabari Shipbuilding, que reúne também Tadotsu Shipbuilding e Steel Hub e poderá receber até 113,8 bilhões de ienes (US$ 730 milhões). A Japan Marine United, em conjunto com JMU Amtec e Ariake Steel Center, terá até 49,4 bilhões de ienes (US$ 316 milhões), enquanto Namura Shipbuilding e Hakodate Dock poderão contar com 49,9 bilhões de ienes (US$ 319 milhões).
Somados aos aportes das próprias companhias, os projetos aprovados deverão mobilizar cerca de 600 bilhões de ienes (US$ 3,8 bilhões) ao longo de dez anos. A expectativa é que os investimentos elevem em aproximadamente 50% a capacidade conjunta dos grupos beneficiados nesta primeira etapa.
A iniciativa integra um plano mais amplo do governo japonês para reverter a perda de capacidade da indústria naval. A meta oficial é elevar a produção anual dos atuais cerca de 9 milhões para 18 milhões de toneladas brutas até 2035, com aproximadamente 1 trilhão de ienes (US$ 6,4 bilhões) em investimentos públicos e privados ao longo da próxima década.
O programa não se limita à ampliação física dos estaleiros. A estratégia inclui formação e retenção de trabalhadores, desenvolvimento de embarcações de nova geração e de baixa emissão, medidas para estimular a demanda e maior cooperação internacional. A modernização também busca responder ao envelhecimento da mão de obra e à dificuldade das empresas em ampliar seus quadros de profissionais especializados.
A automação ocupa posição central nessa estratégia. O governo aposta na instalação de equipamentos mais modernos e no uso de robôs para elevar a produtividade sem depender de aumento proporcional da força de trabalho. O setor também discute maior integração entre os estaleiros e a padronização de projetos de navios, o que permitiria reduzir custos e prazos de construção.
Indústria estratégica
A recuperação da construção naval passou a ser tratada pelo governo japonês também como questão de segurança econômica. Cerca de 99,6% do comércio exterior do país em volume depende do transporte marítimo, circunstância que aumenta a preocupação com a manutenção de uma base industrial doméstica capaz de atender às necessidades da frota mercante japonesa.
A estratégia também procura aproveitar a transição energética no transporte marítimo para fortalecer os fabricantes locais. Projetos de embarcações movidas por combustíveis de menor emissão, novas tecnologias de propulsão e maior padronização da produção aparecem entre as frentes consideradas capazes de aumentar a competitividade dos estaleiros.
O esforço ocorre após décadas de redução da participação japonesa no mercado mundial de construção naval. O país, que já ocupou posição dominante no setor, perdeu espaço primeiro para a Coreia do Sul e, mais recentemente, para a China.
Em 2024, os estaleiros japoneses receberam encomendas para exportação de 251 navios, totalizando 11,16 milhões de toneladas brutas, queda de 6,7% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram entregues 203 embarcações, com recuo de 12,4%. A China, por sua vez, concentrou cerca de 70% das novas encomendas mundiais naquele ano, enquanto a participação japonesa ficou próxima de 5%.
Com a primeira liberação de recursos, o governo começa a transformar em investimentos concretos a estratégia de recuperação do setor. Outros projetos apresentados por empresas japonesas ainda deverão ser analisados, abrindo caminho para novas rodadas de apoio à modernização dos estaleiros.
Site Benews – 09/09/2026
