Maersk prevê movimentar 1,15 milhão de contêineres no Brasil em 2026
Armadora aposta em logística integrada e destaca terminal em Suape como parte da estratégia para crescer mesmo diante das barreiras comerciais e limitações portuárias
A armadora Maersk, uma das principais do mercado global de transporte marítimo de contêineres, projeta um aumento de suas operações no Brasil neste ano, chegando a 1,15 milhão de contêineres movimentados. A expectativa foi destacada na última semana pelo presidente da Maersk para a Costa Leste da América do Sul, Ricardo Rocha. Segundo o executivo, esse crescimento ocorrerá mesmo diante de um cenário internacional adverso marcado por barreiras comerciais, tarifas alfandegárias norte-americanas, cotas sanitárias na China e na União Europeia e restrições operacionais decorrentes da seca no Norte.
A chave para contornar as oscilações do comércio exterior, explica Ricardo Rocha, reside na transição da Maersk de uma tradicional armadora “porto a porto” para uma operadora logística integradora de ponta a ponta (“door-to-door”), controlando navios, caminhões, despachos aduaneiros, depósitos de vazios e centros de distribuição refrigerada. Um dos principais pontos dessa estratégia é o recém-inaugurado terminal de contêineres da empresa em Suape (PE), um investimento de R$ 2 bilhões.
Para Rocha, o maior desafio para o crescimento das atividades portuárias no Brasil é o custo dessas operações, associado á necessidade de ampliação da capacidade de movimentação de cargas dessas instalações. “O Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística. O Porto de Santos, maior da América Latina, tem apenas um terminal com conexão direta à rede ferroviária. No inverno, com mar agitado e neblina, quase todos os portos operam com 90% a 95% da capacidade, quando o padrão mundial recomenda operar a 80% para ter 20% de margem de manobra”, alertou.
Alta no QAV
A Petrobras aplicou um reajuste médio de 13,9% no preço do querosene de aviação (QAV), neste início de mês. O encarecimento do insumo representa uma elevação média de R$ 0,68 por litro e reflete as tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre a cadeia global de suprimentos e as cotações internacionais do petróleo. Com o novo reajuste, o combustível passou a ser negociado nas refinarias da estatal com valores entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro, registrando variações regionais que vao de 13,51% em Canoas (RS) até 14,34% em São Luís (MA). Desde o início do ano, a escalada do insumo acumula alta de 53,3%, acumulando um acréscimo de R$ 1,94 por litro.
Site Benews – 09/09/2026
