2026-08-24
Portos ampliam monitoramento diante de operações mais complexas

Recorde na movimentação de cargas aumenta demanda por integração de controle de acesso, câmeras inteligentes e análise de dados em tempo real

O crescimento da movimentação de cargas nos portos brasileiros aumenta a pressão sobre os terminais para ampliar capacidade e produtividade sem comprometer a segurança, o controle da circulação de pessoas e veículos e a resposta a incidentes.

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que o setor aquaviário movimentou 1,4 bilhão de toneladas em 2025, alta de 6,1% em relação ao ano anterior e recorde da série histórica. Os portos públicos responderam por 497 milhões de toneladas. Já o Porto de Santos movimentou 142,8 milhões de toneladas no período.

O avanço ocorre em um ambiente marcado pela circulação de caminhões, contêineres, cargas perigosas, trabalhadores e equipamentos. Ao mesmo tempo, os terminais estão inseridos em uma infraestrutura logística que enfrenta desafios relacionados à segurança.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 aponta que a infraestrutura logística brasileira é utilizada pelo tráfico internacional de drogas. O relatório destaca a chamada Rota Caipira, associada ao transporte de cocaína, e cita os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) entre os destinos da droga antes do embarque para mercados internacionais.

Nesse cenário, aumenta a busca por sistemas capazes de integrar diferentes fontes de informação e transformar dados operacionais em respostas mais rápidas.

Para Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia do Grupo Pumatronix, o desafio não está apenas em ampliar a quantidade de equipamentos de segurança, mas em integrar essas ferramentas.

“Hoje, a operação exige um ecossistema integrado de tecnologias capaz de conectar controle de acesso, videomonitoramento, inteligência artificial, monitoramento ambiental e análise de dados em tempo real”, afirma.

Controle de acesso

Um dos pontos críticos está na entrada e saída de veículos, pessoas e cargas. Em terminais com grande fluxo diário, processos manuais podem limitar a rastreabilidade e aumentar o tempo de resposta diante de ocorrências.

Segundo a Pumatronix, suas soluções combinam leitura automática de placas, identificação de contêineres conforme a norma ISO 6346 e reconhecimento facial de motoristas. As informações podem ser integradas a sistemas operacionais para validar acessos, identificar inconsistências e registrar a movimentação dentro do terminal.

A tecnologia também pode ser aplicada às áreas operacionais. Câmeras com recursos de inteligência artificial são capazes de identificar situações como veículos parados em locais inadequados, obstáculos nas vias internas, pessoas em áreas restritas e movimentações fora dos padrões estabelecidos.

A análise em tempo real permite o acionamento das equipes responsáveis e pode contribuir para que ocorrências sejam identificadas antes de provocar impactos maiores na operação.

A proposta é avançar de um modelo baseado principalmente no armazenamento e acompanhamento de imagens para sistemas capazes de interpretar eventos e auxiliar na definição de prioridades.

Para Krzyzanovski, a integração das ferramentas muda a forma de administrar áreas de infraestrutura crítica.

“Quando conectamos diferentes tecnologias em uma única plataforma, deixamos de reagir aos problemas e passamos a antecipá-los. Isso significa operações mais seguras, mais eficientes e com maior capacidade de apoiar decisões estratégicas em tempo real”, conclui.

Site Benews – 24/08/2026


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