Projeto capacita 24 empresas para ampliar inclusão no setor portuário
Iniciativa do Sopesp, em parceria com o Governo de São Paulo, prepara empresas e lideranças para tornar ambientes de trabalho mais inclusivos
A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho portuário foi tema do lançamento do Projeto ASAS, realizado nesta segunda-feira (3), em Santos. Criada pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a iniciativa começou com a participação de 24 empresas e 45 profissionais na primeira turma de um curso de letramento voltado à inclusão.
O objetivo é preparar lideranças e equipes para receber, integrar e desenvolver trabalhadores com deficiência de forma efetiva. Além da aula inaugural, realizada na sede do Sindisan, o evento marcou a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o Sopesp e o Governo do Estado de São Paulo, ampliando a parceria para ações voltadas à empregabilidade inclusiva no setor portuário.
Segundo a responsável por Relações Institucionais do Sopesp, Marcelli Mello, a primeira etapa do projeto foi estruturada para oferecer formação aos profissionais que atuam na gestão de pessoas. “Essa primeira etapa é o letramento, voltado aos operadores portuários. O curso terá seis encontros virtuais e abordará tanto aspectos técnicos quanto práticos, como Lei de Cotas, emprego apoiado, questões jurídicas e legislação relacionada ao tema”, afirmou.
De acordo com Marcelli, a capacitação reúne conteúdos que ajudam as empresas a compreender os desafios da inclusão e desenvolver estratégias para tornar os ambientes de trabalho mais preparados. A expectativa é que, em uma próxima fase, a iniciativa seja ampliada com formação aberta ao público interessado em conhecer o setor portuário.
Para o diretor executivo do Sopesp, Ricardo Molitzas, a iniciativa surgiu de uma demanda das empresas associadas, que buscavam orientação para estruturar ambientes mais inclusivos. “São profissionais qualificados, e as empresas também precisam estar preparadas para recebê-los. Esperamos que esse treinamento gere resultados importantes para ampliar a inclusão no setor portuário”, afirmou.
Inclusão além da Lei de Cotas
Durante o evento, o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, destacou que a contratação de pessoas com deficiência não deve ser vista apenas como cumprimento da legislação, mas como oportunidade de ampliar talentos e tornar as empresas mais modernas. “Estamos falando de profissionais capazes de exercer diversas funções, desde que encontrem um ambiente sem barreiras. Cabe às empresas oferecer condições para que desenvolvam seu potencial”, afirmou.
O secretário lembrou ainda que a pasta mantém o Polo de Empregabilidade Inclusivo da Baixada Santista, que conecta candidatos às empresas e oferece suporte durante todo o processo de contratação. “É muito além de cumprir a Lei de Cotas. Queremos quebrar preconceitos e mostrar que as empresas contratam profissionais, não deficiências”, acrescentou.
Mudança de cultura nas empresas
A coordenadora do Programa Meu Emprego Inclusivo, Maria Vilma Roberto, responsável pela palestra de abertura, afirmou que um dos principais obstáculos ainda são as barreiras atitudinais. “Por desconhecimento, muitas empresas presumem que a pessoa com deficiência não é qualificada. Nosso trabalho é mostrar o contrário: essas pessoas contribuem para ambientes mais diversos, inovadores e criativos”, disse.
Ela destacou que o programa utiliza a metodologia do emprego apoiado, acompanhando candidato e empresa antes, durante e após a contratação, o que reduz riscos de atitudes capacitistas e fortalece a permanência dos profissionais.
Também presente no evento, a presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência, Ariane Sá, afirmou que o emprego é uma das principais formas de inclusão social. “Quando uma empresa inclui uma pessoa com deficiência, ela ganha diversidade, sensibiliza a equipe e promove uma transformação na cultura organizacional”, afirmou.
Necessidade
A proposta do Projeto ASAS foi construída pela Comissão de Recursos Humanos do Sopesp, formada por gestores das empresas associadas. Segundo o coordenador de Recursos Humanos do TES, TEAG e TEG, Luiz Fernando Medeiros, a ideia surgiu da necessidade de atuação conjunta entre os profissionais da área.
“O tema era tratado de forma isolada em cada empresa. Hoje conseguimos reunir os RHs para compartilhar experiências, discutir soluções e preparar lideranças para esse processo”, explicou.
Ele destacou que a Lei de Cotas é importante, mas o projeto busca ir além, promovendo desenvolvimento, inclusão e uma gestão de pessoas mais preparada para o futuro.
O secretário municipal de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Orlandi, afirmou que a iniciativa pode servir de referência para outros setores. “Não basta abrir oportunidades. É preciso preparar quem vai receber esses profissionais. Projetos como o ASAS fazem diferença ao unir poder público e empresas em torno da inclusão e da dignidade”, concluiu.
Site Benews – 04/08/2026
