2026-08-04
Porto de Fortaleza movimenta 2,59 milhões de toneladas no 1º semestre

Resultado ficou 10,06% acima do registrado no mesmo período de 2025; porto também projeta alta de 70% na temporada de cruzeiros 2026/2027

O Porto de Fortaleza encerrou o primeiro semestre de 2026 com a movimentação de 2.589.359 toneladas de cargas, volume 10,06% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O desempenho também ficou 6,87% acima da meta estabelecida pela Companhia Docas do Ceará (CDC) para os seis primeiros meses, reforçando a expectativa de crescimento ao longo do ano.

Segundo o diretor-presidente da CDC, Quintino Vieira, o resultado demonstra o fortalecimento da competitividade e da capacidade operacional do porto. “O resultado alcançado superou nossa projeção em 6,87%, evidenciando o avanço da competitividade e da operação do Porto de Fortaleza”, afirmou.

A meta institucional para 2026 é movimentar 5.083.000 toneladas, crescimento de 2,51% em relação ao ano anterior. Com o desempenho do primeiro semestre, a expectativa é encerrar o ano acima do planejado.

O avanço foi impulsionado por diferentes segmentos. A carga geral cresceu 30,14%, puxada principalmente por equipamentos destinados ao setor eólico, como pás e máquinas. Os contêineres avançaram 14,57%, os granéis sólidos agrícolas aumentaram 9,93%, os granéis líquidos cresceram 7,63% e os granéis sólidos minerais tiveram alta de 1,40%, segmento que registrou recorde mensal em maio.

Os granéis líquidos representam 48,4% da movimentação total, com destaque para diesel, gasolina, gás liquefeito de petróleo (GLP) e querosene de aviação (QAV). Já os granéis sólidos respondem por 36,3%, divididos entre produtos agrícolas e minerais.

Entre os produtos, o trigo segue como um dos principais destaques. Segundo Vieira, o Porto de Fortaleza movimenta cerca de 1,2 milhão de toneladas do cereal por ano, consolidando-se como o maior porto brasileiro nesse segmento, impulsionado pela presença de três grandes moinhos na área portuária.

O trigo chega principalmente da Argentina, via portos de Rosário, San Lorenzo e San Pedro. O coque de petróleo é importado dos Estados Unidos e da Colômbia, enquanto os combustíveis vêm do México e de países do Caribe. Nas exportações, frutas destinadas ao Porto de Roterdã, na Holanda, e a outros mercados europeus estão entre os principais embarques.

A CDC também projeta crescimento no segundo semestre com o início de uma nova linha de cabotagem operada pelo grupo CMA CGM em parceria com a Mercosul Line, implantada em abril.

Expansão da infraestrutura

Para sustentar o crescimento, a CDC planeja ampliar a infraestrutura nos próximos cinco anos, com o arrendamento de três novos terminais — dois voltados a granéis sólidos minerais e um para contêineres e carga geral.

Estudos conduzidos pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia da Universidade de São Paulo (USP) permitiram ampliar o calado operacional do Canal Oeste de 8 para 11,75 metros, independentemente da maré. A largura do canal também foi ampliada de 160 para 220 metros.

Além disso, foi identificado um novo acesso natural, o Canal Norte-Sul, com profundidade de até 12 metros. Ambos passam por atualização cartográfica junto à Marinha do Brasil.

“Em uma segunda etapa, o complexo contará com dois canais de acesso, fortalecendo a competitividade logística e criando melhores condições para expansão das operações”, afirmou Vieira.

Apesar dos investimentos, o diretor destacou que a localização impõe limitações à expansão física.

“O Porto de Fortaleza é um porto-cidade, o que naturalmente limita sua expansão. Por isso, a estratégia está baseada na otimização da infraestrutura existente, modernização operacional e atração de investimentos privados”, explicou.

Cruzeiros devem crescer 70%

Além das cargas, a CDC projeta crescimento na atividade turística. A expectativa é receber nove escalas de cruzeiros na temporada 2026/2027, entre outubro e abril — alta de 70% em relação às cinco escalas da temporada anterior.

A previsão é que cerca de 14 mil passageiros passem pelo Terminal Marítimo de Passageiros no período.

Para atender à demanda, a concessionária ABA Infra concluiu a requalificação do acesso viário ao terminal, com investimento de R$ 6 milhões. A CDC também executa a modernização da iluminação em LED e a ampliação do videomonitoramento em toda a área portuária.

Segundo Vieira, a infraestrutura já comporta navios de grande porte. O desafio agora é ampliar a competitividade de Fortaleza como destino em roteiros nacionais e internacionais de cruzeiros.

Site Benews – 04/08/2026


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