Santos receberá primeiro abastecimento de porta-contêineres com etanol no Brasil
Operação inédita reúne Copersucar, CMA CGM, Bunker One e Santos Brasil e marca um avanço na descarbonização da navegação
O primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres com etanol – e não com óleo bunker – no Brasil ocorrerá no próximo dia 10, no Porto de Santos (SP). A operação será realizada a partir de uma parceria entre a produtora de açúcar e álcool Copersucar, a armadora CMA CGM, a fornecedora de combustíveis marítimos Bunker One e a operadora portuária Santos Brasil. O serviço ocorrerá no Tecon Santos, terminal operado pela Santos Brasil no complexo portuário santista.
A operação utilizará etanol anidro da Copersucar, que será transportado por uma barcaça adaptada da Bunker One a partir do terminal da Ageo, na Ilha Barnabé, na margem esquerda do Porto, até o navio da CMA CGM atracado no Tecon. A Copersucar obteve autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para realizar o teste em abril.
O etanol tem como principal vantagem comercial a compatibilidade com motores diesel marinhos existentes, que exigem ajustes mínimos para operar com o biocombustível, uma característica que o coloca à frente de alternativas como amônia e metanol, que demandam motores específicos. Segundo a Copersucar, o etanol reduz as emissões de gases de efeito estufa em até 68% em comparação com o combustível marítimo convencional, o óleo bunker, estimativa apresentada pela empresa durante a COP30, em Belém, no ano passado.
O teste a ser realizado em Santos insere-se em um movimento mais amplo do mercado. A armadora Maersk já realizou testes de mistura com etanol brasileiro. A Vale firmou acordo com a Shandong Shipping para operar navios da classe Guaibamax movidos a etanol a partir de 2029. No plano regulatório, relatório recente do Ministério de Minas e Energia valida o etanol como combustível de baixa emissão para uso marítimo e sinaliza a criação de políticas de mandato para substituição gradual do bunker fóssil em águas brasileiras.
A iniciativa posiciona o Brasil — maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar — como potencial fornecedor para a demanda crescente do setor de navegação, que responde por cerca de 3% das emissões globais de CO₂ e enfrenta metas progressivas de descarbonização da Organização Marítima Internacional (OMI) até 2050.
Site Benews – 03/07/2026
