2026-07-01
Antaq mapeia riscos que podem impactar portos brasileiros até 2035

Estudo inédito aponta mudanças climáticas, conflitos geopolíticos e transformação digital entre os principais desafios para o setor

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou o projeto “Riscos Globais Portuários”, estudo inédito que identifica os principais desafios capazes de impactar o setor portuário brasileiro até 2035. A iniciativa busca fortalecer o planejamento de longo prazo e subsidiar decisões voltadas à infraestrutura, à regulação e à gestão de riscos.

O projeto integra a Agenda Ambiental e de Segurança Aquaviária para o biênio 2025-2026 e foi desenvolvido por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre a Antaq e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Após ser concluído, o estudo foi analisado pela Superintendência de ESG e Inovação (SESGI) e aprovado pela Diretoria da Agência.

Relator da proposta, o diretor Alber Vasconcelos destacou que os portos brasileiros estão inseridos em um ambiente cada vez mais complexo e sujeito a mudanças rápidas, tornando a antecipação de riscos uma condição essencial para fortalecer o planejamento, aumentar a resiliência do setor e garantir que a regulação acompanhe esse novo cenário.

Inteligência para antecipar cenários 

O levantamento adaptou à realidade brasileira a metodologia utilizada pelo Fórum Econômico Mundial em seu relatório anual de riscos globais. Para a elaboração do estudo, foram analisadas publicações científicas, relatórios de sustentabilidade de portos brasileiros e contribuições de 125 especialistas e gestores do setor.

Entre os riscos classificados como críticos no curto prazo estão a instabilidade política, os conflitos geoeconômicos, o excesso regulatório, o aumento da carga tributária, as interrupções em infraestruturas digitais críticas e as falhas nas cadeias globais de suprimentos.

O estudo também aponta que 73,7% dos riscos avaliados permanecem elevados tanto no curto quanto no longo prazo, indicando que grande parte dos desafios enfrentados pelos portos brasileiros possui caráter estrutural e exigirá respostas permanentes.

Mudanças climáticas e transformação digital lideram tendências  

Na dimensão ambiental, as mudanças climáticas aparecem como o principal risco para 2035. Eventos extremos, elevação do nível do mar, erosão costeira, escassez de recursos naturais e os desafios da descarbonização do transporte marítimo estão entre os fatores que podem influenciar diretamente a infraestrutura e as operações portuárias.

Já na área tecnológica, o levantamento destaca que o avanço da digitalização amplia a necessidade de investimentos em segurança cibernética, proteção de infraestruturas críticas, integração entre sistemas digitais e operacionais e qualificação de profissionais para acompanhar a expansão da automação e da inteligência artificial.

Um setor mais resiliente 

Além do diagnóstico, o projeto apresenta recomendações para fortalecer a resiliência do sistema portuário brasileiro. Entre elas estão a implementação de estratégias integradas de adaptação climática e modernização digital, a criação de um sistema contínuo de monitoramento de riscos, o fortalecimento de parcerias com universidades e centros de pesquisa e a incorporação da gestão de riscos ao planejamento estratégico das autoridades portuárias.

Segundo a Antaq, os resultados do estudo passam a integrar a base técnica da Agência para orientar a formulação de políticas regulatórias e poderão servir de referência ao Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor) na elaboração de políticas públicas voltadas ao setor.

Site Benews – 01/07/2026


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