2026-06-25
Investimentos no Oeste da Bahia superam R$ 3,3 bi e projetam safra recorde

Expectativa coincide com uma sequência de anúncios de investimentos que passam de R$ 3,3 bilhões nas áreas de energia, crédito rural, fertilizantes, infraestrutura e maquinário 

O Oeste da Bahia projeta para 2026 uma safra de 13,3 milhões de toneladas de cereais, oleaginosas e leguminosas, número 3,2% superior ao registrado em 2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado coincide com uma sequência de anúncios de investimentos que, somados, passam de R$ 3,3 bilhões nas áreas de energia, crédito rural, fertilizantes, infraestrutura e maquinário agrícola, parte deles revelados durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães.

O quinto Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE aponta a soja como principal responsável pelo avanço da safra baiana, com produção estimada em 8,93 milhões de toneladas, crescimento de 3,8% sobre o ciclo anterior. A área plantada com a oleaginosa chega a 2,18 milhões de hectares no estado, enquanto o rendimento médio sobe para 4,1 toneladas por hectare, 2,1% acima da safra passada.

O milho segue a mesma trajetória de crescimento. As duas safras anuais somadas devem totalizar 2,80 milhões de toneladas, alta de 2,3% na comparação com o ciclo anterior, com a área plantada passando de 600 mil hectares para um patamar 5% maior. A primeira safra do cereal soma 2,09 milhões de toneladas, 8,1% acima do volume colhido em 2025, enquanto a segunda safra recua 11,5%, com expectativa de 714 mil toneladas.

O algodão, por sua vez, projeta 1,84 milhão de toneladas entre caroço e pluma, alta de 2,8% em relação a 2025, favorecida pelas condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras. A área plantada com a fibra soma 410 mil hectares, expansão de 2,5% sobre a safra anterior. Esses números mantêm a Bahia na posição de maior produtor de algodão do Nordeste e segundo do país, com participação de 20,3% na safra nacional, atrás do Mato Grosso, que detém 68,7%.

FIBRAS E FERTILIZANTES 

O crescimento da produção de grãos no Oeste baiano segue impulsionando novos empreendimentos em Luís Eduardo Magalhães, principal polo do agronegócio do estado. Durante a Bahia Farm Show, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) inaugurou o que descreve como o maior Centro de Análise de Fibras da América Latina, ao lado do complexo da feira. A obra recebeu mais de R$ 120 milhões em investimentos e ocupa 5.200 metros quadrados, com capacidade para processar até 70 mil amostras de algodão por dia.

Para a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, a estrutura confere segurança aos compradores internacionais quanto à qualidade do produto adquirido, já que, segundo ela, a transação comercial passa a começar ali, no centro de análise.

Na mesma feira, a Galvani, que produz e distribui fertilizantes fosfatados na região do Matopiba, abriu o Armazém de Distribuição de Luís Eduardo Magalhães. O empreendimento recebeu R$ 21 milhões em aportes e amplia a capacidade operacional da companhia na Bahia. A empresa também destinou R$ 2,13 milhões para a intervenção da via marginal à BR-242, obra conduzida em parceria com a prefeitura do município.

O diretor-presidente da Galvani, Marcelo Silvestre, relaciona os aportes ao fortalecimento da infraestrutura regional e ao desenvolvimento do Oeste baiano, associando o crescimento da empresa às necessidades do agronegócio e das comunidades locais.

ENERGIA E CRÉDITO

A Neoenergia Coelba amplia investimentos na rede elétrica do Oeste baiano dentro de um plano de R$ 25 bilhões para todo o estado entre 2026 e 2030, o maior já registrado pela distribuidora. Desse total, R$ 3,2 bilhões vão exclusivamente para a região, com a construção de novas subestações, ampliação de estruturas existentes e instalação de linhas de média e alta tensão. Ao todo, estão previstas 25 intervenções, que devem elevar em cerca de 93% a oferta de energia na área.

O superintendente de Operações da Neoenergia Coelba, Leonardo Santana, associa a expansão elétrica à capacidade dos produtores de ampliar operações, investir em tecnologia e aumentar a produção, com reflexo na geração de empregos na região.

O crédito rural também se movimenta. O Banco do Nordeste anunciou, durante a feira, aumento nos limites de financiamento para produtores de médio e grande porte dentro do Plano Safra, que passa a vigorar em julho. A participação do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) sobe 10 pontos percentuais para custeio e comercialização, alcançando até 70% para médio porte e até 60% para grande porte. Para investimentos acima de R$ 30 milhões, o aumento também é de 10 pontos, com limites que chegam a 80% e 70%, respectivamente.

FABRICANTES DE MÁQUINAS 

A expectativa de crescimento da produção também movimenta o setor de máquinas agrícolas. A Valtra abriu sua terceira unidade na região, com oferta de tratores de alta potência das séries Q5 e S6, da plantadeira Momentum, além de pulverizadores e do distribuidor DryBox. O diretor comercial da empresa, Claudio Esteves, descreve a abertura da loja em Luís Eduardo Magalhães como um marco estratégico, diante da proximidade que a expansão proporciona com os produtores da região.

A fabricante alemã Fendt levou à Bahia Farm Show máquinas voltadas para pequenas e médias propriedades, com foco em eficiência operacional e redução no consumo de combustível. O diretor comercial da Fendt, Rafael Antonio Costa, descreve o perfil técnico do produtor atual, voltado à verticalização da produção e à extração de rentabilidade em cada hectare, como o cenário em que a empresa busca se posicionar como parceira no processo que vai do preparo do solo à colheita.

Site Benews – 25/06/2026


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