Setor portuário do Pará articula porto offshore para reduzir gargalos
Projeto prevê terminal multipropósito com calado natural de 25 metros e mira demanda do agro, mineração e Margem Equatorial
Representantes da indústria e do setor portuário do Pará articulam a implantação de um novo porto privado offshore no canal do Quiriri, em uma tentativa de ampliar a capacidade logística do estado e reduzir gargalos que vêm pressionando exportadores da região Norte.
O projeto é conduzido pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e ainda está em fase de estudos de viabilidade. A proposta prevê a instalação de uma estrutura próxima à ilha dos Guarás, em uma área que conecta o estuário do rio Pará e a baía de Marajó ao oceano Atlântico.
Segundo os articuladores da iniciativa, o empreendimento busca atender à crescente demanda por infraestrutura para movimentação de cargas ligadas ao agronegócio, mineração e, futuramente, à atividade energética na área de influência da Margem Equatorial brasileira.
A expectativa é que o projeto seja apresentado oficialmente ao poder público após a conclusão dos estudos técnicos.
O desenho preliminar prevê um terminal multipropósito operando em área com calado natural de aproximadamente 25 metros, profundidade que permitiria receber embarcações de grande porte, incluindo o Valemax, considerado o maior graneleiro do mundo.
Segundo os idealizadores, a estrutura seria exclusivamente fluvial e incluiria cais para barcaças e contêineres, píeres especializados para minérios, grãos e combustíveis, além de áreas para armazenagem de mercadorias.
Para o setor, o projeto surge como resposta ao aumento da pressão sobre os portos já instalados no estado. Na mesma linha, operadores avaliam que o volume necessário de investimentos torna improvável uma expansão baseada exclusivamente em recursos públicos.
Os defensores do novo terminal citam como argumento o crescimento das filas de espera para atracação em portos paraenses.
Segundo levantamento do Sindopar, em 13 de maio, o Porto de Vila do Conde registrava 31 navios aguardando atracação por mais de 15 dias, com alguns casos chegando a aproximadamente 30 dias de espera.
O impacto econômico dessa retenção é apontado como um dos principais fatores de pressão sobre a competitividade regional. Na prática, atrasos logísticos também afetam diretamente exportadores.
Site Benews – 24/06/2026
