2026-05-15
Tecon Rio Grande mira integração hidroviária com vizinhos do Mercosul

Painel “Conectividade regional e o papel de portos e terminais na competitividade das cadeias de suprimento sul-americanas” foi realizado nesta quinta-feira (14) durante o Mercosul Export

O TECON Rio Grande saltou de 868 mil para 1,071 milhão de TEUs movimentados entre 2024 e 2025, um crescimento de mais de 23% em um único ano, e projeta chegar a 1,3 milhão ainda em 2026, com expansão que pode atingir 3,2 milhões de TEUs. Os números foram apresentados nesta quinta-feira (14) pelo diretor-geral do terminal, Paulo Bertinetti, durante o painel “Conectividade regional e o papel de portos e terminais na competitividade das cadeias de suprimento sul-americanas”, do Mercosul Export.

Para Bertinetti, o diferencial competitivo do terminal está nas condições físicas do Porto de Rio Grande e na aposta na integração regional, e não na disputa com os outros portos brasileiros.

“Eu sou o maior fã do Porto de Santos e quero ver Santos com o maior calado e com as melhores condições de trabalho para destravar o país”, afirmou Bertinetti. A declaração veio em resposta ao debate sobre o acirramento da concorrência entre terminais nacionais, um dos temas que marcaram o painel ao longo da tarde.

HIDROVIA E MERCOSUL

O modelo adotado pelo TECON aposta na navegação interior pela Lagoa dos Patos como eixo logístico. Segundo Bertinetti, o terminal já movimenta mais de 60 mil TEUs pela lagoa, com certificação pela SGS atestando menos 57% de emissões em relação ao transporte rodoviário equivalente. A expectativa é dobrar a capacidade das barcaças — de 170 para 340 TEUs cada, para chegar a 100 mil TEUs anuais pela hidrovia.

“Nosso foco é olhar para os nossos parceiros uruguaios, argentinos e agora paraguaios. A gente viu as dores e as necessidades que os nossos parceiros paraguaios têm e como nós podemos ajudá-los”, disse o diretor-geral. A integração com o Paraguai foi destacada como uma oportunidade concreta.

BUROCRACIA

Bertinetti também criticou o excesso de aprovações governamentais sobrepostas como principal obstáculo ao crescimento dos terminais no Brasil. A expansão de 300 metros de cais do TECON — com equipamentos já adquiridos e chegada prevista para setembro — levou mais tempo nas aprovações do que levará na execução das obras.

“O que nós precisamos no Brasil é vontade política do Estado. A parte mais difícil é convencer o dono a gastar dinheiro. Depois nós queremos tocar o terminal para devolver resultados. Porém, a gente gasta mais tempo na evolução da aprovação do projeto do que na obra”, ressaltou.

Os demais debatedores também trouxeram perspectivas sobre os desafios da conectividade regional.

A presidente do Consórcio de Gestão do Porto Dock Sud da Argentina, Mónica Litza, defendeu o intercâmbio tecnológico entre os portos do bloco como alternativa à dependência de empresas transnacionais em grandes obras de infraestrutura.

“Precisamos fazer um intercâmbio de tecnologia com nossos técnicos para não depender sempre de empresas e transnacionais. Acredito que podemos fazer isso e teremos que tomar isso como desafio para o Mercosul”, disse.

O presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), Regis Prunzel, alertou para o ritmo acelerado de crescimento do Porto de Santos: a projeção de 240 milhões de toneladas, prevista para 2040 no plano de desenvolvimento do porto, deve ser atingida já em 2030, dez anos antes do prazo.

Segundo ele, caso isso realmente aconteça, a capacidade ferroviária interna do porto já estará no gargalo.

ITAPOÁ

Segundo o CEO do Porto de Itapóa, Ricardo Arten, o complexo está na quarta fase de expansão e de aprovação na quinta, que levará a capacidade de 1,9 bilhão para 3,2 bilhões de TEUs.

Para ele, crescer a capacidade interna sem resolver os acessos externos é um erro que o setor não pode repetir.

“Junto com o governo do Estado conseguimos aprofundar o canal e comprovar que investir em infraestrutura é extremamente importante para a economia. Isso não vai para o terminal, isso vai para o importador, para o exportador, para o transportador, para o armador, para todos que participam desse processo”, ressaltou.

A aposta do Itapoá no hub de transbordo vem sendo construída a partir da escuta direta aos armadores, que buscam portos capazes de receber navios maiores e redistribuir cargas para os portos do sul.

Arten afirmou que o terminal tem sido procurado por diversas companhias de navegação interessadas nesse modelo, já consolidado na Europa e na Ásia, e que a combinação de área disponível para expansão, calado e proximidade ao mercado consumidor de São Paulo e Paraná coloca o Itapoá em posição privilegiada para esse papel.

“Além da carga que vai para o sul, nós somos muito atrativos no longo curso e temos muita área verde para expansão e muita capacidade de pátio — que é exatamente o que essa operação de hub exige”, finalizou.

Site Benews – 15/05/2026


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