2026-02-20
Greve geral na Argentina paralisa portos e embarques do agronegócio

Terminais da Grande Rosário, que concentram 74% dos embarques agroindustriais do país, também suspenderam as operações

A Argentina enfrenta nesta quinta-feira (19) uma greve geral que paralisa os portos e interrompe os embarques de produtos do agronegócio. Segundo a Câmara de Exportadores de Grãos do país, a mobilização foi convocada por centrais sindicais que são contra a reforma trabalhista do governo do presidente Javier Milei.

A paralisação se soma à greve de 48 horas iniciada na quarta-feira (18) pela Federação de Trabalhadores Marítimos (Fesimaf). O movimento impede o carregamento e descarregamento de mercadorias nos terminais, afetando navios de carga e toda a cadeia de operações portuárias.

O bloqueio atinge o setor que mais gera divisas para a Argentina. O país lidera as exportações de óleo e farelo de soja no mercado internacional e ocupa posição de destaque nas vendas de grãos e derivados.

Somente em 2024, a receita com exportações desses produtos somou US$ 25,09 bilhões, crescimento de 27% sobre 2023, conforme os dados da Câmara da Indústria Oleaginosa da República Argentina (Ciara) e do Centro de Exportadores de Grãos (CEC).

Os números explicam a dimensão do impacto da paralisação. No ano passado, os embarques agroindustriais pelos portos argentinos totalizaram 100,2 milhões de toneladas.

Os terminais da Grande Rosário, principal complexo portuário do país, responderam por 74,6 milhões de toneladas, alta de 10% em relação a 2024. A região concentra a infraestrutura que escoa a produção de soja, milho e derivados.

Essa suspensão das operações compromete contratos internacionais que operam com prazos rígidos, especialmente nas cadeias de grãos e derivados. O bloqueio também afeta a entrada de insumos industriais, com reflexos na produção local de segmentos que dependem de matérias-primas importadas.

REFORMA TRABALHISTA

O projeto de reforma promovido pelo governo Milei propõe alterações nos métodos de contratação, no sistema de remuneração e nos regimes de negociação coletiva.

Entre os pontos está a ampliação da jornada diária para até 12 horas, com um sistema de compensação em que o período mais longo em um dia pode ser compensado por outro mais curto, sem pagamento de horas extras. A jornada semanal máxima permanece em 48 horas.

A reforma também prevê a redução das indenizações por demissão, facilita os processos de dispensa e impõe restrições ao direito de greve. Para o governo, as mudanças reduzem a litigiosidade e estimulam o emprego formal. A legislação vigente, da década de 1970, é apontada como entrave à formalização e incentivo à informalidade.

SINDICATOS

Os sindicatos rejeitam os argumentos e classificam a proposta como desregulamentação que enfraquece direitos trabalhistas. “O projeto de reforma trabalhista é totalmente regressivo”, afirmou Cristian Jerónimo, líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical argentina, durante coletiva de imprensa que anunciou a greve.

A mobilização ganhou força após o Senado argentino aprovar o texto-base da reforma. O projeto entra em debate nesta quinta-feira na Câmara dos Deputados, sob pressão dos sindicatos. A oposição e as centrais sindicais sustentam que as alterações retiram direitos fundamentais e precarizam as relações de trabalho.

Site Benews – 20/02/2026


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