Porto do Açu planeja novo terminal de grãos até 2028
O projeto deve sair do papel em 2027, com o início das operações em 2028, e possibilidade de berço exclusivo
O Porto do Açu, localizado em São João da Barra, no Norte do Rio de Janeiro, planeja inaugurar seu primeiro terminal específico para grãos em 2028. Hoje, as operações deste tipo de carga são feitas pelo T-MULT, o terminal multicargas do complexo, mas o aumento da demanda trouxe a necessidade de um empreendimento apenas para grãos.
As informações foram repassadas pelo CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, durante um encontro com a imprensa realizado ontem (09), no porto. O projeto deve sair do papel em 2027, com o início das operações em 2028. Na primeira etapa, será construída uma estrutura em terra com os equipamentos específicos para receber as cargas e o terminal será atendido por um dos dois berços do T-MULT. O investimento inicial previsto chega a US$100 milhões. “Identificamos que o porto pode ser uma rota para escoar, principalmente, os volumes vindos de Minas Gerais, Goiás e uma parte do Mato Grosso”, disse Eugênio, ao detalhar a proposta.
Com o desenvolvimento da operação e a atração de mais volumes, o terminal pode ganhar um berço exclusivo. No primeiro ano, a expectativa é movimentar 1 milhão de toneladas de grãos, mas a capacidade total para cargas vindas por rodovias é de 2,5 milhões de toneladas. O projeto é do Porto do Açu, mas a gestão está aberta a uma sociedade. “Queremos trazer um sócio, que pode ser um produtor, uma pessoa com conexão com o agro. Estamos em busca dessa parceria”, citou o CEO.
João Braz, diretor de Terminais e Logística do porto, explicou que o terminal de grãos terá um diferencial: ele nasce voltado ao transporte rodoviário, mas já com o planejamento para uma possível conexão ferroviária, o que ampliará a movimentação para 9 milhões de toneladas em 10 anos.
Trata-se da Ferrovia Vitória–Rio (EF-118), também chamada de Anel Ferroviário do Sudeste. Ela conectará o complexo à malha ferroviária existente no Espírito Santo – a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) – operada pela Vale.
O projeto do governo federal indica que a implantação da EF-118 será realizada em fases. A primeira terá 246 quilômetros de trilhos e ligará São João da Barra (RJ), onde está localizado o Porto do Açu, a Santa Leopoldina (ES). A previsão é de que o trecho seja concluído até 2035.
A nova ferrovia é esperada há anos e abre um novo horizonte à logística da região Sudeste ao criar uma nova rota para o agronegócio e ampliar a integração entre os portos dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
R$ 22 bilhões em 10 anos
O Porto do Açu também estima, para os próximos 10 anos, R$ 22 bilhões em investimentos que, atualmente, estão em diversas fases, entre negociação, estruturação e licenciamento.
“Temos clientes já com reservas de áreas assinadas, fazendo seus processos de engenharia e decisão de investimento. Entre eles, há projetos para a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação), E-metanol, que é um possível combustível para navios menores, e também de amônia verde, já voltado aos navios maiores, de longo curso. Esses combustíveis devem ser armazenados no Terminal de Líquidos do Açu (TLA), que será expandido para acomodar essa produção”, detalhou o CEO.
T-MULT ampliado
O Porto do Açu também concluiu recentemente o investimento de R$ 200 milhões na expansão do Terminal Multicargas. O projeto ampliou o cais operacional de 340 metros para 500 metros, mantendo calado de 13,1 metros e estrutura para atracar simultaneamente dois navios do tipo Panamax (capacidade de até 75 mil toneladas cada).
O investimento também contemplou novos pátios de armazenagem, galpões e um guindaste híbrido ESP 7B, que elevou em 30% a capacidade de movimentação do terminal e reduziu em cerca de 30% o consumo de diesel.
O aporte sustenta os novos acordos comerciais fechados pelo porto, entre eles com a Petrobras envolvendo a exportação de coque de petróleo. Agora, o T-MULT passa a concentrar o escoamento da produção das quatro refinarias da estatal no Sudeste (REDUC, REGAP, REPLAN e REVAP), com previsão de embarcar até 600 mil toneladas por ano do produto rumo ao mercado internacional.
Paralelamente, o terminal amplia sua atuação no agronegócio, com a realização, na semana passada, da primeira operação de importação de enxofre, insumo voltado à indústria de fertilizantes. A movimentação inicial foi 1.500 toneladas, importada pela Minas Port dos EUA.
Com as melhorias estruturais, a capacidade do ativo aumentou para 2,7 milhões de toneladas por ano, com projeção de atingir 5 milhões de toneladas até 2028.
Site Benews – 11/09/2026
