Governo aposta no poder das compras públicas para reaquecer indústria
Gabriela Maretto explicou como as compras do Estado, que representam cerca de 16% do PIB, estão sendo usadas para garantir previsibilidade ao setor privado
Durante o Bahia Export, realizado nesta quinta-feira (9), a diretora de Programa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Gabriela Maretto, detalhou a estratégia do governo federal para alavancar a atividade industrial e associar o crescimento econômico aos empreendedores brasileiros. O foco central da apresentação foi a utilização das contratações públicas como uma ferramenta estratégica para impulsionar o desenvolvimento econômico, social e ambiental no país.
A diretora, que também atua como coordenadora da Comissão Interministerial de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (CICS), apontou que o Brasil atravessa uma recuperação macroeconômica impulsionada pela combinação positiva de crescimento do PIB, redução do desemprego e controle da inflação.
Segundo a especialista, esse cenário tem gerado impactos sociais diretos, com a redução da pobreza e a saída de diversas famílias do programa Bolsa Família, o que reflete na melhora dos índices de distribuição de renda.
Apesar do salto nos investimentos em infraestrutura de transportes e logística, que ultrapassaram a marca de R$ 76 bilhões e representam o maior valor desde o ano de 2014, o país ainda precisa superar o desafio estrutural de reverter a queda contínua da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) observada nas últimas décadas. Para solucionar este obstáculo, a estratégia centralizada desde 2023 é usar ativamente o poder de consumo do próprio Estado.
Atualmente, as compras públicas brasileiras movimentam um volume financeiro correspondente a cerca de 16% do PIB nacional, revelando um enorme potencial para direcionar e estimular o mercado interno. Maretto argumentou que, historicamente, há um desequilíbrio nas políticas de incentivo, em que cerca de 80% do foco costuma estar no “lado da oferta”, por meio de subsídios e linhas de financiamento. No entanto, ela frisou que a previsibilidade de demanda oferecida pelo imenso poder de compra do governo é, muitas vezes, o fator determinante para garantir a segurança no investimento do setor privado.
Segundo a diretora do MGI, o Estado não deve agir como um consumidor comum, prática esta que já é adotada por grandes potências globais para proteger e desenvolver suas indústrias. Como exemplo, ela citou os Estados Unidos, que aplicam margens de preferência de até 50% desde a década de 1950. No Brasil, essa visão transversal já foi incorporada em grandes políticas públicas recentes, como o Novo PAC e o programa Nova Indústria Brasil (NIB), que trazem exigências claras de conteúdo local e licitações com exclusividade para fornecedores nacionais.
As medidas de transformação do Estado abordadas no evento não possuem o intuito de reduzir a máquina pública a qualquer custo, mas sim de torná-la eficiente e com o tamanho exato das necessidades do país, apoiada nos pilares de pessoas, serviços digitais e reestruturação organizacional. Casos clássicos e bem-sucedidos nos setores de defesa, saúde, petróleo e gás, além da segurança alimentar, já comprovam que direcionar a demanda do governo pode promover o adensamento das cadeias produtivas e fomentar o desenvolvimento sustentável em todo o território.
Site Benews – 10/04/2026
