2026-04-10
Bahia desponta como nova fronteira mineral, mas logística é desafio

Painel do Bahia Export destaca potencial produtivo do estado e entraves para expansão de investimentos

O avanço da mineração e o protagonismo da Bahia no cenário nacional estiveram no centro dos debates do painel “A nova fronteira mineral e o protagonismo do estado”, realizado durante o Bahia Export, em Salvador, nesta quinta-feira (9). O encontro reuniu representantes do governo federal e da iniciativa privada para discutir oportunidades e desafios do setor.

Durante o debate, o diretor do Ministério de Minas e Energia, Anderson Arruda, destacou a relevância crescente da Bahia na produção nacional. Segundo ele, o estado já ocupa posição de destaque no agronegócio, sendo o sétimo maior produtor de grãos do país, com cerca de 15 milhões de toneladas por ano, além de figurar como o segundo maior produtor de algodão no Brasil.

Apesar do cenário positivo, Arruda alertou para pressões no mercado de insumos agrícolas, com impactos diretos na mineração de fertilizantes. Ele apontou que o aumento do diesel, do qual cerca de 30% é importado pelo Brasil, eleva custos logísticos e afeta a cadeia produtiva. Soma-se a isso a alta no preço de fertilizantes como a ureia, cuja dependência externa chega a 40%, além do encarecimento do frete marítimo e de seguros internacionais.

O cenário global também contribui para a instabilidade. A redução da oferta de insumos, com destaque para a diminuição das exportações de enxofre e fosfatados por países como a Rússia, tende a pressionar ainda mais os preços. Diante disso, Arruda defendeu a necessidade de destravar projetos de exploração mineral no país, especialmente de fosfato, além de avançar no licenciamento ambiental.

Na visão do setor privado, a expansão da atividade mineral também depende de melhorias estruturais. Para o CFO da Galvani, Milson Mundim, a falta de segurança institucional ainda limita investimentos, especialmente em infraestrutura logística. “As ferrovias não avançam porque precisamos de mais segurança para investir. É preciso pragmatismo na tomada de decisão”, afirmou.

Potencial competitivo

Já o Country Manager da Atlantic Nickel no Brasil, Danilo Casalino, ressaltou o potencial competitivo do Brasil em um cenário global de descarbonização. Segundo ele, a produção mineral no país pode ganhar protagonismo internacional ao combinar recursos naturais com práticas alinhadas a critérios ambientais, sociais e de governança (ESG). “Se a proposta é descarbonizar o mundo, faz sentido produzir materiais a partir de um país com matriz energética majoritariamente limpa, como o Brasil”, destacou.

O painel integra a programação do Bahia Export, promovido pelo Grupo Brasil Export, que reúne autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir infraestrutura, logística, energia e investimentos. Realizado na Federação das Indústrias do Estado da Bahia, o evento busca fortalecer o ambiente de negócios e ampliar a competitividade do estado em áreas estratégicas da economia.

Site Benews – 10/04/2026



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