2026-04-09
Guerra no Oriente Médio derruba exportações do agro e impulsiona setor de energia no Brasil

Efeitos da guerra

Os primeiros sintomas da instabilidade global provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã ficaram evidentes na balança comercial brasileira de março de 2026. Enquanto o agronegócio sofreu um revés direto devido à retração do consumo e aos entraves logísticos no Oriente Médio, o setor de energia registrou números recordes, impulsionado pela busca global por fontes alternativas ao petróleo do Golfo Pérsico. O valor exportado para os quinze países da região recuou de US$ 1,2 bilhão para US$ 882 milhões, o que representa uma queda de 26% no período.

 

Impacto no agronegócio

Dentro do agronegócio, as proteínas animais foram as mais atingidas pela escalada do conflito. A carne suína registrou um recuo expressivo de 59%, enquanto o frango, que é o principal item da pauta de exportações para o mercado árabe, apresentou uma queda de 22%. A soja também não passou ilesa, com uma diminuição de 25% nas vendas para a região, refletindo as dificuldades operacionais em portos próximos às zonas de combate. 

 

Acordo com a Turquia

Para tentar mitigar esses prejuízos, o governo brasileiro selou um acordo estratégico com a Turquia, que passará a funcionar como um entreposto logístico para o armazenamento e a redistribuição de mercadorias para a Ásia Central e o Oriente Médio.

 

Petróleo em alta

Já o petróleo bruto sustentou o saldo comercial ao aproveitar o vácuo deixado pelas restrições de oferta no Estreito de Ormuz. As exportações de óleo bruto saltaram 70,4% em valor, alcançando US$ 4,7 bilhões. No entanto, o futuro deste setor enfrenta incertezas, já que o Governo Federal introduziu uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo para custear subsídios ao diesel internamente, o que deve reduzir o ritmo das vendas externas nos próximos meses.

 

Déficit com os EUA

O xadrez geopolítico também alterou o comportamento dos principais parceiros comerciais, acentuando a dependência do mercado chinês, cujas compras cresceram 17,8%, enquanto as relações com o bloco liderado pelos Estados Unidos esfriaram, resultando em uma queda de 9,1% nas exportações e um déficit comercial de US$ 500 milhões com os americanos. 

 

Resultado

Apesar dos desafios regionais e setoriais, o Brasil conseguiu encerrar o mês com um superávit geral de US$ 6,4 bilhões de dólares, impulsionado por exportações totais de 31,7 bilhões de dólares, embora as importações também tenham crescido 20,1% devido ao encarecimento global de insumos energéticos e fertilizantes.

Site Benews – 09/04/2026


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