Setor cresce e amplia espaço para lideranças femininas
Em evento realizado em Santos, Flávia Takahashi defendeu que um segmento em expansão não pode se dar ao luxo de desperdiçar talentos
Um setor que cresceu 6,1% no último ano, acima do PIB, e que registrou expansão de 7,3% no segmento de contêineres não pode abrir mão de nenhum talento. Com esse argumento econômico como ponto de partida, a ex-diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e especialista em regulação de transportes aquaviários, Flávia Takahashi defendeu, nesta quarta-feira (25), o avanço da representatividade feminina no setor portuário e aquaviário brasileiro.
A fala integrou o encerramento da 3ª edição do evento Navegando com Elas, realizado na Associação Comercial de Santos, que reuniu lideranças do setor para debater infraestrutura, regulação, investimentos e agenda ESG.
Para Takahashi, a presença feminina em posições de liderança deve ser encarada como uma medida de valor para o negócio, não apenas como pauta social. “É um setor que cresce historicamente mais que o PIB e que não pode se dar ao luxo de perder pessoas que agregam valor”, afirmou.
A especialista organizou sua análise em três pilares: valor, técnica e naturalização. No campo do valor, ela traçou um paralelo com a agenda de sustentabilidade: assim como as empresas passaram a adotar práticas ESG por reconhecerem o retorno para o negócio, a representatividade feminina precisa ser vista da mesma forma.
No campo da técnica, ela destacou a sofisticação crescente das operações e da regulação portuária ao longo das últimas décadas, e argumentou que as mulheres que chegam a posições de liderança nesse ambiente chegam preparadas.
“Uma mulher só aceita um cargo se ela tiver certeza de que tem aquelas habilidades. Eu nunca trabalhei com uma mulher que não fosse muito boa”, disse.
Takahashi, que foi a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora da Antaq, cumpre atualmente o período de quarentena previsto em lei após o encerramento do mandato. Ela ingressou na agência em 2010 e acompanhou a evolução regulatória do setor por 15 anos.
O terceiro pilar, a naturalização, foi o que ela considerou mais urgente. A especialista defendeu que reconhecer a liderança feminina como algo comum precisa acontecer nos dois sentidos: para as mulheres, que muitas vezes subestimam sua própria aptidão, e para os homens, que precisam enxergar esses espaços como naturalmente múltiplos. “Isso parece simples, mas não é tão simples como deveria ser”, afirmou.
Como exemplo positivo desse movimento, ela apontou a própria composição do auditório durante o evento.
NAVEGANDO COM ELAS
A 3ª edição do Navegando com Elas foi aberto pela secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, Natalia Resende.
Na sequência, o evento contou com dois painéis temáticos: Perspectivas no Setor de Infraestrutura Portuária e Aquaviária, que debateu investimentos, ferrovias e acessos aos terminais, e Agenda ESG e a Transição Energética nos Portos e na Navegação.
O encerramento ficou por conta da participação especial de Flávia Takahashi, ex-diretora da Antaq, que abordou a representatividade feminina no setor.
Site Benews – 27/03/2026
