2026-03-25
Porto de Santos avança na descarbonização com projeto de GNL

Reunião conectou Autoridade Portuária e iniciativa privada e inseriu o maior porto do país em movimento global por combustíveis mais limpos

A Associação Comercial de Santos (ACS) promoveu um encontro entre a Autoridade Portuária de Santos (APS) e a associada Edge para avançar nas tratativas sobre o bunkering de GNL (gás natural liquefeito), alternativa mais sustentável aos combustíveis tradicionais. A reunião foi na tarde da última sexta-feira (20). Bunker é o combustível do navio e o bunkering é a operação de reabastecimento que se faz nos portos, seja por barcaças, caminhões ou dutos existentes.

Segundo o gerente executivo da ACS, Eduardo Lopes, a discussão ocorre em um cenário de pressão global por redução de emissões. “Embora cruciais para o comércio internacional, os navios respondem por cerca de 3% das emissões de CO2 no mundo. A Organização Marítima Internacional (IMO) tem feito um esforço muito grande para a descarbonização do setor, com metas progressivas para 2030, 2040 e até 2050, quando pretende que 100% do transporte marítimo esteja descarbonizado”, afirmou.

Lopes destacou ainda o avanço de combustíveis alternativos e novas tecnologias no setor. “Há incentivo ao uso de GNL, etanol, metanol, amônia, entre outras soluções. Hoje já vemos navios bicombustíveis, que funcionam com GNL e combustível tradicional, como acontece com os carros flex”, comparou.

Nesse contexto, o Porto de Santos busca se posicionar como referência regional, segundo ele. “Recentemente, o Porto de Santos firmou um acordo com o porto de Valência para desenvolver um plano de descarbonização e energia. A ACS, inserida nesse ambiente, promoveu a conexão entre a Autoridade Portuária e a Edge, que tem um projeto de fornecimento de GNL para navios no porto”, explicou.

Durante o encontro, a empresa apresentou os detalhes da proposta, que conta com apoio institucional. “Foram combinados os próximos passos e um cronograma de desenvolvimento, que estamos acompanhando. Já há novas reuniões previstas”, disse Lopes. Ele acrescentou que a entidade também apoia outra iniciativa voltada ao fornecimento de etanol como combustível marítimo.

O avanço das discussões em Santos acompanha um movimento mais amplo no país. Portos brasileiros vêm adotando estratégias para reduzir emissões e se adaptar às exigências internacionais.

No Porto do Pecém, projetos estruturam um hub de hidrogênio verde voltado à exportação de energia limpa. Já o Porto do Açu desenvolve planos de descarbonização com foco em combustíveis de baixo carbono e soluções industriais. No Porto de Itaqui, iniciativas combinam eficiência operacional e incentivo a navios menos poluentes, enquanto o Porto de Paranaguá investe na eletrificação de equipamentos e modernização logística.

Site Benews – 25/03/2026


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