2026-03-23
Porto de Aratu inicia operação de grãos após mais de cinco décadas

Terminal ATU 18 recebeu na última semana a primeira carga de sorgo e passa a integrar a logística de escoamento da produção agrícola da Bahia

A operação de granéis vegetais começou na última semana no Porto de Aratu-Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (BA). Pela primeira vez desde que entrou em funcionamento, há 51 anos, o complexo passou a movimentar esse tipo de carga. A estreia ocorreu no terminal ATU 18, com o embarque de 35 mil toneladas de sorgo provenientes do oeste da Bahia.

A nova operação abre uma frente logística voltada ao escoamento da produção agrícola do estado. Até agora, o porto mantinha perfil predominantemente voltado à movimentação de cargas ligadas às cadeias petroquímica e mineral, característica associada à sua origem. O complexo foi concebido na década de 1970 para atender às demandas logísticas do Polo Petroquímico de Camaçari.

Nos últimos anos, a estrutura portuária passou por mudanças para incorporar novos tipos de carga. A inauguração dos terminais de granéis sólidos ATU 12 e ATU 18 ampliou a capacidade operacional do porto e viabilizou o início das operações com produtos agrícolas. O terminal ATU 18 foi preparado para o manuseio e a armazenagem de granel vegetal, com foco principalmente em soja, milho e sorgo.

A modernização da área foi conduzida pela CS Portos, empresa da CS Infra, integrante do Grupo SIMPAR. Segundo a companhia, foram investidos mais de R$ 400 milhões em obras de revitalização e melhorias no terminal.

Os recursos foram direcionados à implantação de estruturas operacionais e de apoio às novas atividades. Entre as instalações construídas estão classificadores de grãos, tombadores, moegas rodoviárias, pátio para veículos e quatro silos de armazenagem. Cada silo tem capacidade para 30 mil toneladas, formando um sistema com armazenagem estática inicial de 120 mil toneladas.

O terminal também recebeu equipamentos voltados à automação do processo de carregamento. Entre eles está um shiploader dedicado à exportação de grãos, com capacidade de até duas mil toneladas por hora. De acordo com a empresa responsável pela operação, o sistema permite atingir produtividade média de até 30 mil toneladas por dia no terminal de granel vegetal.

Com a nova estrutura, a capacidade operacional estimada para movimentação de grãos chega a 3,5 milhões de toneladas por ano. Para o primeiro ano de funcionamento da operação, a previsão é que o volume movimentado alcance até 3 milhões de toneladas.

A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), responsável pela administração do porto, afirma que a expansão da retroárea e a instalação de sistemas automatizados fazem parte de um conjunto de intervenções destinadas a ampliar a movimentação do complexo. Segundo o presidente da empresa, Antonio Gobbo, as mudanças incluem a construção dos silos e a implantação de esteiras automatizadas no ATU 18.

“O desenvolvimento econômico e social se conquista com estudo, planejamento e ação — e foi isso que fizemos. Projetamos para que o Porto de Aratu alcance a maior movimentação de sua história, com a ampliação da estrutura de retroárea, a construção de quatro silos, cada um com capacidade de 30 mil toneladas, e a automatização das operações por meio das modernas esteiras instaladas no ATU 18. Todo esse investimento reduzirá o tempo e os custos das operações e deve gerar um acréscimo de mais de 20% de movimentação de cargas”, afirma Gobbo.

Salvador

A administração portuária também projeta aumento de movimentação no Porto de Salvador, outro terminal sob gestão da Codeba. Segundo a companhia, o porto registrou níveis recordes de operação e teve áreas adicionais liberadas para atender à demanda de novas operações.

Para o diretor-presidente da CS Portos, Marcos Tourinho, o início da operação de granéis vegetais altera o perfil logístico do complexo portuário.

“É um novo capítulo para o terminal, que amplia sua relevância estratégica ao incorporar uma operação voltada ao escoamento da produção agrícola. Os investimentos realizados pela CS Portos traduzem nossa visão de longo prazo para a infraestrutura nacional: tornar ativos relevantes mais modernos, eficientes e competitivos. Assim, entregamos uma estrutura à altura do potencial do agronegócio, ajudando a reduzir gargalos logísticos, elevar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento econômico da região”, afirma.

Com a estrutura atual, o terminal foi dimensionado para operar diferentes tipos de grãos, com fluxo de recebimento por transporte rodoviário e embarque para exportação. A empresa responsável pela operação prevê que, em etapas posteriores de expansão, a capacidade anual de movimentação possa alcançar até 7,5 milhões de toneladas.

Site Benews – 23/03/2026


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