Investimentos logísticos na região Norte dobraram em quatro anos
Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Operadores Logísticos, Ricardo Buteri, apresentou os dados
Os investimentos de operadores logísticos na região Norte passaram de 25% para 51% do total nacional entre 2020 e 2024. Os números constam da pesquisa Perfil de Operadores Logísticos, coordenada pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) e emergiram da fala do presidente do Conselho Deliberativo da entidade, Ricardo Buteri, durante o Fórum Norte Export, realizado nesta quinta-feira (19) em Manaus, pelo Grupo Brasil Export.
“Dois anos dobraram a quantidade de investimentos”, disse Buteri ao apresentar os dados. O presidente da entidade ressaltou que o crescimento abrange logística de abastecimento, atacadismo, varejo, e-commerce e transporte, e classificou o resultado como o de maior expressão registrado entre a primeira e a última edição da pesquisa para a região Norte. Uma nova rodada da pesquisa já está contratada para 2026.
O levantamento, de periodicidade bienal e conduzido pela consultoria Ilus com participação de entidades do setor, apontou a receita operacional bruta de R$ 192 bilhões no segmento, dos quais R$ 36 bilhões concentrados nos associados da ABOL.
Segundo ele, o setor ainda gera 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos no país, sendo 500 mil dentro das empresas associadas. Os tributos recolhidos chegaram a R$ 43 bilhões, com R$ 20 bilhões em investimentos declarados pelas associadas, em equipamentos, tecnologia e inteligência artificial.
Entre os segmentos atendidos pelos operadores logísticos em território nacional, bebidas lideraram com 72% de participação, variação de 14% em relação à pesquisa anterior. Automotivo e peças, cosméticos, alimentos processados, eletrodomésticos e farmacêuticos completaram o topo da lista. A relação entre esses setores e o fluxo de entrada e saída de mercadorias pela região Norte foi ressaltada por Buteri durante a apresentação.
FACTUAL
Além dos números de crescimento, o presidente trouxe ao evento um alerta sobre os custos que pressionam o setor.
A ABOL publicou nota de repúdio ao aumento do preço do diesel, com altas de 25% no Rio de Janeiro e em São Paulo e de 50% em Brasília, além de relatos de desabastecimento em Santa Catarina.
Buteri alertou que a pressão sobre o combustível, agravada por taxas emergenciais cobradas dos operadores, se traduz em custo para o consumidor final, mesmo diante de desonerações implementadas pelo governo federal. “Não dá mais para suportar, como pessoa física, tudo e qualquer custo”, afirmou.
MULTIMODALIDADE
A questão do custo se conecta, na visão de Buteri, a um problema estrutural mais antigo: a falta de integração entre os modais de transporte no país.
O presidente elegeu a multimodalidade como política pública o eixo central da sua gestão à frente da entidade e defendeu a construção de soluções entre os diferentes agentes do setor, com participação do poder público e do setor privado.
Como ilustração, mencionou que um dos associados, a Santos Brasil, no Porto de Santos, não utiliza ferrovia em nem 10% das suas operações, mesmo com incentivos tarifários disponíveis. “A ABOL quer ser um grande mediador dentro das modalidades existentes”, disse.
Dentro desse esforço de estruturação institucional, Buteri também mencionou o Projeto de Lei 3.751/2020, em tramitação há seis anos, que busca regulamentar a figura do operador logístico no ordenamento jurídico brasileiro.
O texto define critérios mínimos para enquadramento no segmento, como faturamento, estrutura própria e nível de serviço. A entidade projeta a aprovação da lei em 2026 e a trata como o principal instrumento para consolidar o reconhecimento institucional do setor — base, segundo Buteri, para que a multimodalidade deixe de ser pauta e passe a ser política.
Site Benews – 20/03/2026
