2026-03-04
Porto de Natal deve iniciar exportação de minério de ferro em 2028

Empresa indiana investirá até R$ 55 milhões no terminal e aposta em “minério verde”; contrato será assinado em até 90 dias

O Porto de Natal deve começar a exportar minério de ferro a partir do segundo semestre de 2028, marcando uma nova etapa na diversificação das operações do terminal potiguar. A movimentação será conduzida pela Fomento do Brasil Mineração, que arrematou o arrendamento do Pátio Norte em leilão realizado na B3 na última quinta-feira (26).

O contrato de concessão deve ser assinado nos próximos 90 dias. A previsão é que, ao longo dos 15 anos de arrendamento, sejam investidos até R$ 55 milhões na área. Nos próximos dias, a empresa apresentará o projeto de investimento à Companhia Docas do Rio Grande do Norte e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). As melhorias operacionais devem ser executadas ao longo dos próximos dois anos.

De acordo com o diretor-presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN), Paulo Henrique Macedo, o arrendamento representa um avanço significativo na movimentação de cargas e na atração de novos investimentos. “Esse arrendamento vai possibilitar quadruplicar a quantidade de carga movimentada no Porto de Natal. Os investidores passam a olhar para o Porto de Natal de maneira diferente, diante de todos os investimentos que estão sendo realizados na infraestrutura portuária”, disse.

À Tribuna do Norte, o gerente de portos e logística da Fomento, Alan Jones Tavares, disse que o início das operações representa um marco para o setor mineral do estado e disse que tentativas anteriores de exportação de minério de ferro pelo Rio Grande do Norte não avançaram devido à falta de adequações no terminal. Desta vez, a proposta envolve investimentos estruturais e planejamento logístico integrado.

Projeto Ferro Potiguar

A expectativa é que, a partir de 2029, sejam exportadas cerca de 2,2 mil toneladas anuais de minério de ferro pelo porto. Já no segundo semestre de 2028, quando as operações tiverem início, a meta é atingir o maior volume possível de embarques, com foco nos principais mercados importadores.

O minério a ser embarcado é classificado como pellet feed, conhecido no setor como “minério verde”. A jazida foi identificada por meio de estudos realizados pela empresa na microrregião da Borborema Potiguar, que abrange municípios como Tangará, Serra Caiada, Sítio Novo e Senador Elói de Souza. O material apresenta características geológicas distintas das encontradas no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, ou nas minas de Carajás, com maior teor de pureza e menor índice de contaminantes, segundo a empresa.

A exploração integra o projeto Ferro Potiguar e deve ocorrer de forma paralela à estruturação das operações portuárias. O processo de licenciamento ambiental está em andamento junto ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema/RN). A etapa inclui a realocação de famílias que residem em áreas contempladas pela futura mineração.

De acordo com a Fomento, o cronograma prevê que a implantação da planta de mineração, da usina de beneficiamento e das melhorias no porto avancem de forma sincronizada. A lógica é garantir que produção, logística terrestre e operação portuária entrem em funcionamento praticamente ao mesmo tempo.

A estratégia busca transformar o Porto de Natal em nova rota de escoamento mineral no Nordeste, inserindo o Rio Grande do Norte no circuito internacional da mineração com um produto diferenciado e voltado ao processamento siderúrgico.

Site Benews – 04/03/2026


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