Recorde nas importações de fertilizantes reforça dependência externa
Cenário alerta para necessidade de implementação do Plano Nacional de Fertilizantes
As importações brasileiras de fertilizantes alcançaram 45,5 milhões de toneladas durante o ano passado, superando as 44,28 milhões de toneladas registradas em 2024. Esse foi um novo recorde da série histórica. O bom desempenho reforçou o cenário positivo para a agricultura nacional, já que indicou maior disposição dos produtores em ampliar a área plantada de grãos e elevar a produtividade média das lavouras.
Mato Grosso, Paraná e São Paulo lideraram o consumo de fertilizantes no país. O resultado consolidado chamou a atenção para a entrada de fertilizantes pelos principais terminais portuários brasileiros. Somados os recebimentos nos Portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e do Arco Norte, o volume importado em 2025 foi de 45,50 milhões de toneladas, frente a 44,28 milhões de toneladas em 2024. O principal canal de entrada de fertilizantes importados foi o Porto de Paranaguá, com 10,89 milhões de toneladas.
Apesar dos números positivos, o Brasil busca colocar em prática as diretrizes do Plano Nacional de Fertilizantes, estabelecido em 2022. O objetivo principal é reduzir a dependência externa, dando competitividade e sustentabilidade à nossa produção, contribuindo para a segurança alimentar dos brasileiros.
“Hoje, 85% dos fertilizantes NPK são importados, mais de R$ 25 bilhões. Nós somos o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, e é preciso gerar aqui no Brasil, produzir esses fertilizantes. Nós vamos ficar menos dependente de importação, vamos dar segurança à agropecuária brasileira até a silvicultura, que é muito importante. O Brasil alimenta o mundo todo, e é o grande exportador de alimentos, proteína animal e proteína vegetal”, ressaltou Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O debate sobre a efetividade do Plano Nacional de Fertilizantes foi parar no Congresso Nacional. A Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados buscou avaliar a iniciativa, com foco em reativar as fábricas de fertilizantes nitrogenados, especialmente as localizadas na Bahia e em Sergipe.
“Nós temos acompanhado, com muita esperança, a retomada de um projeto de desenvolvimento econômico, social e ambiental para as empresas de fertilizantes. Os fertilizantes são estratégicos para o Brasil, e essas empresas são fundamentais. Esse debate precisa ser feito. Esse projeto não é apenas do Governo, que tem compromisso com a Petrobras e os petroleiros, mas também do Estado brasileiro. A população brasileira precisa estar empenhada na defesa de um projeto de desenvolvimento nacional que gere emprego, renda, distribuição de riqueza e soberania”, afirmou o deputado federal João Daniel (PT-SE).
Atualmente, mais de 87% dos fertilizantes usados pela agricultura são importados. Os parlamentares buscam analisar o papel do plano na promoção do desenvolvimento regional, geração de empregos e estímulo à indústria nacional.
“Existe um custo em função da dependência externa. Então, é muito importante para a nossa agricultura e para o desenvolvimento de uma região, especialmente a Sealba [fronteira agrícola no Nordeste, compreendendo áreas de Sergipe, Alagoas e nordeste da Bahia, abrangendo 171 municípios] e todo o Nordeste, que as fábricas voltem a funcionar. Existe outro ponto muito importante”, esclareceu Jose Carlos Polidoro, representante da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Ele ressalta os dados IBGE: “57% dos agricultores familiares no Brasil nunca — é importante ressaltar o nunca — abriram um pacote, uma bag, qualquer embalagem que tenha fertilizante dentro. Isso significa impacto na inflação, porque diminui a produtividade, gera sazonalidade e mantém o agricultor familiar naquele nível de pobreza — ele não sai da classe pobre para a classe média de jeito nenhum. Se nós não tivermos oferta de fertilizantes. Nossos solos são pobres, naturalmente pobres. Não há condição de não usar calcário e fertilizante. O fertilizante pode ser mineral, biológico, o que seja, mas o mineral aqui funciona, e existe comprovação. O grande impacto social da produção nacional de fertilizantes, especialmente no Nordeste. Isso pode impactar inclusive na pressão que os alimentos fazem sobre a inflação todos os anos”, analisa
Site Benews – 29/01/2026
