2026-01-28
Primeiro navio de longo curso atraca em Porto Alegre após enchentes de 2024

Graneleiro vindo da Rússia marca a retomada da navegação internacional no porto após obras de dragagem e reestruturação 

O primeiro navio a chegar a Porto Alegre após a retomada da navegação de longo curso, modalidade que envolve o transporte marítimo entre portos de diferentes países, atracou na manhã desta segunda-feira. A operação marca a normalização desse tipo de navegação após as enchentes de 2024.

O graneleiro Equinox Eagle, de bandeira das Ilhas Cayman, transporta 11 mil toneladas de nitrato de potássio e veio de São Petersburgo, na Rússia, para abastecer a indústria local. A embarcação chegou por volta das 10h30, gerando intensa movimentação na área portuária. Segundo sites especializados em navegação marítima, o navio tem 200 metros de comprimento e 32 metros de largura.

A deliberação que autorizou tanto a retomada da navegação de longo curso quanto a liberação da navegação noturna foi assinada em meados de janeiro pelo governador Eduardo Leite, durante ato no Palácio Piratini. Apesar disso, conforme a Portos RS, a circulação noturna de navios, aguardada há 42 anos, ainda não tem data definida para começar. A retomada do longo curso foi conduzida de forma integrada entre a Autoridade Portuária, a Marinha do Brasil e a praticagem da Lagoa dos Patos.

Durante o ato, o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, destacou que as medidas são resultado de planejamento e investimentos contínuos. “A retomada da navegação de longo curso e a liberação da navegação noturna são resultados de planejamento, investimento contínuo e compromisso com a segurança da navegação. Reestruturamos a hidrovia com dragagem, batimetria e um contrato de sinalização náutica continuado. Hoje, entregamos ao Estado uma hidrovia confiável, segura e preparada para sustentar o crescimento da atividade portuária”, afirmou.

A chegada do Equinox Eagle simboliza a retomada da navegação de longo curso no Porto de Porto Alegre. A dragagem era apontada por empresários como um dos principais gargalos da navegação interior no Rio Grande do Sul, após sucessivos encalhes de navios de grande porte, especialmente no final de 2024, terem frustrado negociações com indústrias da Região Metropolitana.

Entidades representativas do setor produtivo, como a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e a Hidrovias RS, chegaram a cobrar maior agilidade na dragagem, principalmente nos canais do Furadinho, Pedras Brancas e da Feitoria, onde ocorreram os encalhes. A falta de circulação nessas áreas gerava impactos imediatos na economia.

O acúmulo de sedimentos provocado pelas enchentes em rios como Taquari, Sinos e Gravataí reduziu a profundidade dos principais canais e o calado, fixado em 5,18 metros, comprometendo a navegação de grandes embarcações na hidrovia, por onde circulam, em média, seis milhões de toneladas de cargas por ano. Para restabelecer a navegabilidade, a Portos RS investiu R$ 258 milhões, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).

Site Benews – 28/01/2026


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