APM Terminals testa etanol como combustível limpo em Suape
Projeto apresentado busca viabilizar alternativa de transição energética para abastecimento de navios
A APM Terminals está em fase de testes com etanol como combustível limpo para abastecimento de navios no Porto de Suape (PE). A empresa apresentou o projeto na última segunda-feira (26) durante uma palestra no Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), com a participação de representantes de usinas nordestinas. A iniciativa busca viabilizar o etanol como alternativa de transição energética para o setor marítimo, com potencial para transformar Pernambuco em um centro de abastecimento.
O Diretor de Negócios Públicos da APM Terminals, Felipe Campos, projeta que o etanol alcance 10% do consumo mundial de combustível marítimo. Esse percentual demanda cerca de 50 milhões de toneladas de etanol, enquanto o Brasil produz atualmente 37 milhões de toneladas. A empresa planeja aproveitar a capacidade produtiva existente e a possibilidade de expansão, especialmente no Nordeste.
O presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, observa que o uso direto do etanol em mistura com óleo bunker representa uma frente de mercado.
“Pernambuco chegou a produzir 700 milhões de litros de etanol em algumas safras. É um consumo que pode ser em parte absorvido, também para o abastecimento desses navios com etanol”, explica Renato.
Caso os testes confirmem a viabilidade técnica, o Porto de Suape pode se tornar um centro de abastecimento para embarcações de diferentes regiões. O etanol utilizado pode vir da produção nordestina ou de outras áreas do país por meio de cabotagem, concentrando-se em Pernambuco, de acordo com o presidente do Sindaçúcar-PE.
TESTES
A fase inicial de testes trabalhou com Blend E10, combinando 10% de etanol e 90% de metanol. Atualmente, a APM Terminals testa o E50, com proporção igual dos dois combustíveis, com perspectivas positivas. O próximo teste, com E100, utilizará 100% de etanol brasileiro. Os testes ocorrem na sede da empresa, na Dinamarca, em embarcações flex, projetadas para operar com metanol.
A Maersk, empresa dinamarquesa, investiu R$ 1,6 bilhão nos últimos dois anos para construir o terminal de contêineres em Suape. O local deve se tornar o primeiro terminal com emissão zero da América Latina.
Diante da expansão do etanol de milho no Centro-Sul, a empresa pretende explorar a capacidade produtiva do setor sucroenergético nordestino para obter etanol de cana-de-açúcar.
Site Benews – 28/01/2026
