2026-01-20
Mercosul - UE - Acordos com o Brasil podem aumentar quase cinco vezes

Tratado prevê a ampliação do fluxo comercial entre os dois blocos, com redução gradual de tarifas de importação e exportação

A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, formalizada no último sábado (17), no Paraguai, representa um dos movimentos mais relevantes da política comercial brasileira nas últimas décadas e deve reposicionar o país no comércio internacional. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a parcela do comércio brasileiro coberta por acordos preferenciais pode saltar de 8% para 36%, ampliando de forma significativa o acesso do Brasil aos mercados globais.

O tratado amplia o fluxo comercial entre os dois blocos ao prever a redução progressiva de tarifas de importação e exportação. Juntos, Mercosul e União Europeia formam um dos maiores acordos comerciais do mundo, reunindo mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto estimado em mais de R$ 100 trilhões. A expectativa do governo e do setor produtivo é de que a formalização do acordo fortaleça a competitividade da economia brasileira e estimule investimentos e exportações, especialmente de produtos industrializados.

De acordo com a CNI, mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa de importação zerada na União Europeia, o que corresponde a mais da metade dos itens negociados no acordo. O impacto imediato tende a ser mais intenso para as exportações nacionais, ao reduzir custos e ampliar o acesso ao mercado europeu. Do lado do Mercosul, o cronograma de abertura será mais gradual. O Brasil terá prazos entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, cerca de 4,4 mil itens, o que cria uma transição considerada previsível para a indústria nacional.

Na avaliação do economista Luciano Simões, os efeitos do acordo vão além da redução tarifária e envolvem mudanças estruturais. “Os termos e condutas que forem assinados vão determinar as questões técnicas, sanitárias, regulatórias e padrões de qualidade. Existe um padrão mínimo para alguns países que se faz necessário cumprir”, afirma. Segundo ele, o tratado também tende a elevar o nível de competição no mercado interno. “O grau de competitividade brasileiro, frente ao que nós temos no Mercosul, vai trazer um aumento da concorrência para as empresas brasileiras, não só pela melhoria necessária para adequar nossos produtos ao modelo europeu, quanto também pelo que vier de importado para cá”, diz.

A União Europeia já é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2024, o bloco foi destino de 14% das exportações brasileiras, o equivalente a aproximadamente US$ 48 bilhões. A expectativa é de que, com a implementação do acordo, esse fluxo seja ampliado de forma gradual, com reflexos sobre a geração de empregos, renda e crescimento econômico.

O acordo deve entrar em vigor de forma plena em até 15 anos. Antes disso, um acordo provisório poderá passar a valer após aprovação da Câmara dos Deputados, no Brasil, e do Parlamento Europeu, onde ainda pode enfrentar resistências de países como França, Hungria e Polônia. A votação final na Europa está prevista para maio. Segundo o governo brasileiro, após a assinatura do acordo provisório, o tratado já começa a valer na prática, o que pode ocorrer a partir do segundo semestre deste ano.

Para Luciano Simões, o momento representa uma oportunidade estratégica para o país. “Se conseguimos aproveitar este momento, evoluir a cadeia produtiva brasileira e gerar empregos com condição técnica e respeito ao salário dos trabalhadores, teremos um ganho de renda no Brasil. Isso vai se refletir não só na produção, mas também no maior consumo e no aumento do PIB”, conclui.

Site Benews – 20/01/2026


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