2026-09-28
Portos ampliam investimentos em resiliência climática

Terminais e empresas de infraestrutura defendem medidas permanentes para proteger operações e ativos diante de eventos extremos

Os efeitos dos eventos climáticos extremos sobre a operação portuária passaram a ocupar espaço maior no planejamento dos portos da Região Sul. Representantes de terminais, autoridades portuárias e empresas de infraestrutura defenderam a incorporação de medidas de resiliência aos investimentos e aos futuros contratos de concessão durante painel do Sul Export 2026, realizado em Foz do Iguaçu (PR), no dia 17 de setembro.

A avaliação apresentada no encontro é que a adaptação deixou de ser uma preocupação exclusivamente ambiental e passou a envolver diretamente a continuidade das operações, a proteção dos ativos e a previsibilidade dos investimentos.

Na Portonave, a agenda já conta com uma estrutura dedicada ao tema, com comitê e área de sustentabilidade. Segundo o diretor superintendente Administrativo da empresa, Osmari de Castilho Ribas, o desafio é transformar a preocupação com os eventos climáticos em medidas efetivas e coordenadas entre os diferentes agentes da cadeia.

O executivo citou como exemplo o impacto da espera dos navios para acessar o porto, com embarcações permanecendo em operação e consumindo combustível enquanto aguardam condições adequadas de entrada. A empresa também mantém alinhamento com o Porto de Itajaí e outros terminais por meio de um comitê integrado para acompanhar os riscos climáticos.

“Temos uma preocupação muito grande com o fenômeno El Niño pela condição em que nós nos encontramos”, afirmou Osmari.

No Rio Grande do Sul, a experiência recente com eventos extremos reforçou a necessidade de investimentos voltados à proteção da infraestrutura. O diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, destacou as ações da Portos RS de monitoramento climático e afirmou que os terminais também vêm direcionando recursos para medidas de mitigação, especialmente para preservar a segurança das pessoas e dos ativos.

Para ele, a preparação precisa superar os ciclos de gestão das autoridades portuárias e ser incorporada ao planejamento de longo prazo dos complexos. “Porto não é para quatro anos, é para 50, 100 anos”, afirmou.

Bertinetti também defendeu maior coordenação entre as autoridades portuárias. Na avaliação do executivo, a experiência acumulada com os eventos climáticos recentes precisa ser transformada em protocolos, projetos e investimentos permanentes, para que a resposta aos riscos não dependa apenas de iniciativas isoladas.

Em Santa Catarina, a SCPar adotou uma medida preventiva no Porto de Imbituba com o início de uma obra de reforço e recuperação do molhe de abrigo. A estrutura protege a área portuária da ação das ondas e, segundo o diretor de Finanças e Gestão da companhia, Fabiano Ramalho, a intervenção busca manter condições mais estáveis de operação diante de cenários climáticos adversos.

Para a Infra S.A., a questão climática também deve ser incorporada desde a estruturação dos projetos de concessão. O coordenador de Projetos Portuários e Aquaviários da empresa, Conrado Fereza, afirmou que os estudos para os canais de acesso já consideram mecanismos de resiliência e distribuição de responsabilidades diante de eventos capazes de alterar as condições previstas de operação.

“Ferramentas de resiliência climática estão também na espinha dorsal dos nossos estudos de concessão de acesso de canais”, afirmou.

A proposta é estabelecer previamente uma matriz de riscos que defina quem será responsável por eventuais custos adicionais. No caso do assoreamento, por exemplo, os contratos podem prever uma faixa de referência para os volumes de dragagem de manutenção. Dentro desse limite, a responsabilidade ficaria com o concessionário. Em situações que ultrapassem a faixa estabelecida, o risco poderia ser assumido pelo poder público.

O modelo também prevê mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro para preservar a execução dos contratos diante de eventos extraordinários. Entre as possibilidades citadas estão alterações tarifárias ou extensão do prazo contratual.

Site Benews – 28/09/2026


Voltar