2026-09-24
Porto do Açu vai levar energia elétrica a plataformas na Bacia de Campos

Projeto prevê cabo submarino de 80 km e substituição da geração a gás em unidades dos polos Pargo e Cherne, na Bacia de Campos

O Porto do Açu (RJ) vai desenvolver, em parceria com a petroleira Perenco, um projeto para conectar plataformas de petróleo da Bacia de Campos à rede elétrica em terra, por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN). A iniciativa prevê a instalação de um cabo submarino de 80 quilômetros entre o complexo portuário e as unidades da petroleira nos polos Pargo e Cherne, em águas rasas.

A proposta é substituir parte da geração de energia nas plataformas, atualmente baseada na queima de gás, pelo fornecimento de eletricidade a partir do continente. O projeto é considerado o primeiro do tipo na Bacia de Campos e receberá investimento de US$ 110 milhões da Perenco. A previsão é que as obras comecem no segundo trimestre de 2027 e o sistema entre em operação até o primeiro trimestre de 2028.

A parceria foi formalizada nesta terça-feira (22), durante a Rio Oil & Gas (ROG 2026), com a assinatura de uma carta de intenções entre o Porto do Açu e a Perenco. O evento, realizado no Rio de Janeiro, reúne empresas e representantes dos setores de petróleo, gás e energia.

O projeto terá uma subestação em terra dentro do complexo portuário. Em entrevista ao estúdio eixos durante a ROG, o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, explicou que o fornecimento deverá começar com uma demanda de 35 MW e chegar a 60 MW em quatro anos, conforme o aumento da demanda das operações. “É um negócio emblemático, porque é exatamente o tipo de negócio que a gente gosta de fazer: desenvolver em conjunto com o cliente uma solução customizada”, afirmou Figueiredo.

Segundo a Perenco, a eletrificação não vai eliminar completamente o uso de gás nas plataformas. A companhia continuará utilizando nos geradores o gás produzido nos próprios campos, mas pretende substituir pela energia da rede a parcela da geração que atualmente depende da compra de gás da Petrobras. A empresa compra hoje até cerca de 2,5 milhões de pés cúbicos de gás por dia para geração elétrica.

A infraestrutura também está relacionada à estratégia da Perenco de ampliar a vida produtiva dos ativos offshore. Atualmente, o campo de Pargo produz cerca de 20 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), enquanto a companhia prevê retomar a produção de Cherne até o início de 2028, com capacidade de 15 mil boe/d. A empresa trabalha com um horizonte de operação dos campos até 2040 e avalia estendê-lo até 2052.

O diretor-geral da Perenco Brasil, Damien Szyszka, afirmou que o projeto poderá servir de referência para iniciativas voltadas à segurança energética e à redução das emissões.

Site Benews – 24/09/2026


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