Seca na Amazônia pode elevar em até 150% custo do transporte de contêineres
Estudo da A&M Infra aponta que restrições no calado dos rios podem reduzir em até 55% a capacidade de carga das embarcações em cenários de estiagem extrema
Os impactos da estiagem e das anomalias climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño na Região Norte do país ameaçam inflacionar drasticamente a logística de suprimentos do Polo Industrial de Manaus (PIM). Segundo estudo elaborado pela consultoria A&M Infra, da Alvarez & Marsal, para a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), a redução no nível dos rios amazônicos pode encarecer o custo de transporte de contêineres para a capital amazonense em até 150% nos cenários de seca extrema.
O levantamento quantifica os impactos da perda de calado navegável nas embarcações de cabotagem e nos feeders fluviais. Em um cenário considerado intermediário, com restrição de 2 metros no calado, a capacidade de carregamento dos navios cai 35%, o que resulta em um aumento imediato de 63% no custo unitário por contêiner movimentado. Já em um quadro mais severo, com restrição de 3,2 metros no calado, a capacidade útil de transporte despenca 55%, gerando um efeito dominó de estouro de custos operacionais e fretes que atinge a marca dos 150%.
Encomenda confirmada
O Grupo A.P. Moller-Maersk confirmou oficialmente a encomenda de 26 novos porta-contêineres de grande porte, com capacidade para 18.600 TEUs, encerrando dias de intensa especulação no mercado marítimo internacional. A expansão da carteira de pedidos representa um incremento equivalente a aproximadamente 10% da frota operacional atual da armadora dinamarquesa e marca uma inflexão em sua estratégia de negócios, que nos últimos anos esteve estritamente focada na substituição de frota antiga e na manutenção do teto de capacidade em torno de 4,3 milhões de TEUs.
As novas embarcações serão equipadas com motores de propulsão dual alimentados por gás liquefeito (GNL) ou combustível convencional, com entregas programadas entre 2029 e 2030. A encomenda consolida o contrato prévio firmado em fevereiro de 2026 com o estaleiro chinês New Times Shipbuilding Company – que previa oito unidades firmes mais opções agora exercidas – e estende o programa com outros estaleiros parceiros.
Embora analistas de consultorias especulassem que a Maersk pudesse finalmente aderir aos megacarregadores de 24.000 TEUs (classe Ultra Large Container Vessels, os ULCV), a companhia optou por focar na faixa de 18.600 TEUs, ligeiramente superior à sua atual classe Triple E (18.270 a 20.568 TEUs). A escolha sinaliza prioridade para embarcações com maior flexibilidade operacional e facilidade de atracação nos portos globais, sem renunciar ao ganho de escala nas rotas transoceânicas.
Site Benews – 21/09/2026
