2026-04-02
Porto do Pecém recebe 92 produtos chineses inéditos

Nova rota direta entre o Ceará e a Ásia, operada desde abril do ano passado, muda o fluxo de importações e coloca o terminal como primeira parada no Brasil

O Ceará passou a importar 92 produtos chineses que nunca haviam chegado ao Estado antes. Os dados são do Comex Stat, plataforma do Governo Federal, e cobrem janeiro e fevereiro de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

Entre as novidades, o destaque vai para automóveis de passageiros, que somaram mais de US$ 7,1 milhões em valor importado, seguidos por coques e semicoques de hulha, com US$ 5,9 milhões, e itens como aparelhos de raios-X, bulldozers e escavadoras.

Segundo a plataforma, a lista também inclui equipamentos médicos, insumos para construção civil, vestuário feminino e até frutas e hortaliças congeladas.

Porém, o crescimento não se limitou aos produtos novos. Algumas categorias que já entravam pelo Estado dispararam no comparativo entre os dois primeiros meses de cada ano.

Os compostos de função carboxiamida, fungicidas usados em culturas como soja, milho e trigo, saltaram de US$ 90,6 mil para US$ 1,6 milhão, alta de 1.704,7%. Teares e máquinas de costura industrial cresceram 1.604,1% no mesmo intervalo, saindo de US$ 209 mil para US$ 3,5 milhões. Chapas e tiras de alumínio avançaram 1.577,8%, de US$ 156 mil para US$ 2,6 milhões.

ROTA

Por trás desses números está uma mudança logística. Em abril de 2025, o Porto do Pecém passou a ser a primeira parada brasileira de navios vindos da Ásia pela rota do Canal do Panamá.

O trajeto, que passa por portos na China, Coreia do Sul, Índia, Singapura e República Dominicana antes de chegar ao Ceará, reduziu o tempo de viagem para cerca de 40 dias e dispensou o caminho antigo, que levava as cargas até Santos antes de subir para o Nordeste. A mudança encurtou prazos e barateou o frete para quem importa pela região.

No primeiro ano de operação, a rota movimentou quase 104 mil TEUs — unidade de medida de contêineres — e respondeu por cerca de 15% das novas cargas que passaram pelo terminal em 2025.

O impacto foi direto nos resultados do porto: a movimentação total cresceu 27%, saltando de 555 mil TEUs em 2024 para 706 mil no ano seguinte, recorde da história do terminal.

“Antes, uma mercadoria da China vinha para Santos, esperava uma conexão para depois chegar no Pecém. Hoje não, o primeiro porto brasileiro é o Pecém”, afirmou o presidente do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, Max Quintino.

Site Benews – 02/04/2026


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