2026-03-31
BNDES anuncia R$ 10 bilhões para indústria 4.0 e projetos sustentáveis no Brasil

Pacote amplia crédito produtivo, soma R$ 25 bilhões ao setor e reforça expectativas com acordo Mercosul–União Europeia

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a destinação de R$ 10 bilhões em novas linhas de crédito voltadas à modernização da indústria brasileira. O anúncio foi feito pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.

Do total, R$ 7 bilhões serão destinados à digitalização industrial, com foco na difusão de tecnologias da indústria 4.0, enquanto R$ 3 bilhões serão aplicados em projetos voltados à produção de bens de capital alinhados à economia verde. As linhas terão taxa média de 6,5% ao ano e fazem parte da política Nova Indústria Brasil (NIB).

“São linhas de crédito fundamentais para modernizar o parque fabril no país e, com isso, gerar o aumento da produtividade, ampliando a competitividade da indústria”, afirmou Mercadante.

O novo pacote se soma a outros R$ 15 bilhões já anunciados pelo BNDES nesta semana para micro, pequenas e médias empresas, voltados ao financiamento de exportações no âmbito do Plano Brasil Soberano 2. Com isso, os recursos totais direcionados ao setor industrial chegam a R$ 25 bilhões em diferentes frentes.

O anúncio ocorreu durante o seminário que debateu os impactos do Acordo Mercosul–União Europeia, que entra em fase de aplicação provisória a partir de 1º de maio, após mais de duas décadas de negociações.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a importância estratégica do acordo. “Quando eu não faço o acordo, eu não fiquei parado, eu fui para trás, porque alguém fez e vai ter preferência sobre o meu produto”, disse. Ele acrescentou: “O acordo Mercosul-UE é o maior entre blocos do mundo e já entra em vigência agora, então as oportunidades que nós teremos são extraordinárias”.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressaltou a necessidade de preparação interna para que o país aproveite as oportunidades. “Entramos agora em uma nova etapa. O foco passa a ser a implementação do acordo e, para alcançarmos resultados com a integração entre Mercosul e UE, precisamos de uma agenda consistente que permita que as empresas brasileiras concorram em igualdade de condições no mercado mundial”, afirmou.

Já a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, classificou o acordo como essencial para o futuro econômico do país. “Ele é mais do que uma escolha econômica para nós. Nós não temos escolha, é uma questão de necessidade estratégica para o Brasil”, analisou.

Dados da CNI indicam o potencial do acordo para ampliar a relação comercial entre os blocos. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado para a União Europeia, foram criados 21,8 mil empregos no Brasil, além de R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Atualmente, o bloco europeu é o segundo principal parceiro comercial do Brasil e o maior investidor estrangeiro no país, concentrando 31,6% do estoque de investimentos produtivos externos.

Com a entrada em vigor provisória do acordo, governo e setor produtivo iniciam uma nova etapa voltada à implementação das regras e ao aproveitamento das oportunidades geradas pela integração entre os mercados.

Site Benews – 31/03/2026


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