2026-01-19
Investimentos federais impulsionam hidrovias e navegação interior em 2025

Aportes do MPor somaram mais de R$ 529 milhões no ano, com dragagens, modernização de eclusas, avanço das concessões e expansão de IP4s em diferentes regiões do país

Os investimentos federais em hidrovias avançaram ao longo de 2025, com aumento dos aportes públicos e a continuidade de obras em diferentes regiões do país. Segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), mais de R$ 529 milhões foram aplicados no ano em ações como dragagens de manutenção, modernização de eclusas, ampliação de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4s) e elaboração de estudos voltados à concessão de trechos hidroviários. De acordo com a pasta, essas iniciativas contribuíram para melhorar as condições de navegação e ampliar a segurança do transporte aquaviário, especialmente em áreas onde os rios são a principal via de deslocamento de cargas e passageiros.

O fortalecimento do transporte aquaviário também se refletiu na indústria naval. Em 2025, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) aprovou R$ 31,8 bilhões em projetos, o maior montante já autorizado pelo fundo. Do total aprovado, R$ 7,7 bilhões foram contratados ao longo do ano. Segundo o MPor, os recursos viabilizaram 152 empreendimentos em diferentes estados e resultaram na geração de mais de 43 mil empregos diretos, com impacto direto sobre o setor ligado à navegação e à construção naval.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os investimentos em hidrovias têm papel relevante para o desenvolvimento do país. “Estamos recuperando a navegabilidade dos rios, modernizando a infraestrutura e ampliando a capacidade de transporte. Esse trabalho integra as hidrovias à logística nacional, contribui para reduzir custos e aumentar a competitividade, além de garantir mais acesso da população a serviços essenciais e políticas públicas”, afirmou.

Os dados operacionais do setor também indicam crescimento da movimentação. Entre janeiro e novembro de 2025, o transporte de cargas pelas vias interiores alcançou 132 milhões de toneladas, com projeção do ministério de atingir 140 milhões até dezembro. No mesmo período, a cabotagem de contêineres movimentou 2,2 milhões de TEU. Considerando todos os tipos de carga, a cabotagem somou 203 milhões de toneladas até novembro, com expectativa de chegar a 223 milhões de toneladas no fechamento do ano.

Na avaliação do MPor, 2025 também marcou avanços na organização do programa de concessões hidroviárias. A Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN) realizou estudos técnicos, consultas públicas e definiu cronogramas para projetos nos rios Paraguai, Madeira, Tocantins, Tapajós e para a chamada Hidrovia Verde. O projeto da Hidrovia do Rio Paraguai, considerado o mais adiantado, foi encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) em 2025, com previsão de leilão no segundo semestre de 2026.

No campo das obras, o ministério informa que, em 2025, manteve intervenções de dragagem e manutenção em trechos dos rios Amazonas, no segmento entre Manaus e Itacoatiara; Madeira, na região de Porto Velho; e Solimões, nos trechos Coari–Codajás e Benjamin Constant–São Paulo de Olivença. As ações contaram com apoio técnico e operacional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e, segundo o MPor, contribuíram para reduzir riscos à navegação e ampliar a segurança do transporte de cargas e passageiros.

Também avançaram projetos de modernização de eclusas. A Eclusa de Amarópolis, no Rio Grande do Sul, foi apontada pelo ministério como a primeira do país a passar por um processo completo de modernização. No Rio Tocantins, o projeto do Pedral do Lourenço obteve Licença de Instalação do Ibama em maio de 2025, etapa que autoriza a execução das obras previstas para 2026. Já no Rio Tietê, a Eclusa de Nova Avanhandava avançou com a assinatura de acordos entre o Dnit e o Governo do Estado de São Paulo, condição necessária para o início das intervenções.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, os resultados observados em 2025 refletem uma mudança na forma como o país trata a navegação interior. “Investir na infraestrutura hidroviária é essencial para integrar regiões, reduzir custos logísticos e apoiar o desenvolvimento com sustentabilidade. E é isso o que estamos fazendo no Ministério de Portos e Aeroportos”, afirmou.

IP4

Outro eixo de atuação destacado pelo MPor foi a ampliação das Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte. Em 2025, os investimentos nessas estruturas somaram R$ 292,8 milhões. Foram entregues novas IP4s nos municípios de Barcelos, Envira, Itacoatiara e Parintins, no Amazonas; Juruti e Oriximiná, no Pará. De acordo com o ministério, as obras ampliaram a capacidade da infraestrutura hidroviária nessas localidades.

Além das entregas, o MPor informa que houve aceleração das obras em Santana, no Amapá, e em Canutama, no Amazonas, antecipando a entrada em operação das estruturas. Outros projetos avançaram para a fase de contratação em Tonantins e Fonte Boa, no Amazonas, e em Cai n’Água, em Rondônia, garantindo a continuidade da expansão da rede pública de apoio à navegação interior.

O MPor sustenta que os resultados registrados ao longo de 2025 reforçam a relevância das hidrovias para a logística nacional, tanto pela redução de custos quanto pela capacidade de integração territorial. A pasta também aponta que a continuidade das obras e o avanço das concessões devem ampliar a participação da navegação interior na matriz de transportes brasileira, com impacto direto sobre o escoamento da produção e o deslocamento de passageiros em diferentes regiões do país.

Site Benews – 19/01/2026


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